Regresso à normalidade? 8 – Pia Figueroa de Presenza

19.07.2020 - Andrea De Lotto

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Regresso à normalidade? 8 – Pia Figueroa de Presenza

Depois das respostas de  Riccardo NouryLaura QuaglioloGiovanna Procacci, Giovanna PaganiGuido Viale, Andreas Formiconi e Jorida Dervishi, é tempo de falar com Pia Figueroa, uma das editoras da Pressenza.

 

– Agora que quase saímos da emergência do Covid 19, muitas pessoas dizem “não queremos voltar à normalidade, porque o problema era o normal”. Esta poderia ser uma grande oportunidade de mudança.

Na sua opinião, o que deveríamos mudar urgentemente neste momento? O que faria para o mudar?

– No Chile, não sentimos realmente que estamos a sair da emergência – na verdade, a situação está a piorar à medida que os dias passam. O fracasso do nosso serviço de saúde reflete-se na saúde precária de muitas pessoas e num grande número de mortes. Além disso, há um desemprego massivo e está a alastrar às categorias de trabalho social básico, tais como professores do ensino primário; tal como há pessoas pobres que nem sequer têm o suficiente para comer. O nosso sistema falhou, e serão necessárias mais do que pequenas alterações individuais para o reparar.

Se quisermos escapar a esta “normalidade” desumana, teremos de mudar o nosso sistema político, superar e sair do capitalismo de vez. Não queremos certamente regressar aos sistemas políticos e sociais já falhados, tais como o comunismo e o fascismo, embora ainda haja apoiantes destes movimentos.

Estou a pensar num novo humanismo: um sistema descentralizado baseado na democracia real, com um padrão de justiça social nunca antes experimentado e uma grande participação das bases, capaz de levar a cabo este processo. Eu estaria disposta a pensar, a escrever, a sugerir, a participar em todos os níveis que sejam necessários: no bairro, na cidade, na região, na nação, e mesmo no mundo inteiro, porque para construir um novo modelo, será necessária a ação de um grande número de pessoas. E eu quero ser um delas.

– O que seria necessário para apoiar esta mudança, quer individual quer socialmente?

– Individualmente, tem que se estar convencida disto, colocando esta enorme necessidade atual acima de qualquer outra mudança parcial, dedicando-lhe o seu tempo, energia e paixão. Este processo precisa ainda de ser divulgado socialmente, pensado e organizado. É necessário também que os jovens e as mulheres assumam a liderança: eles são os novos atores sociais que podem ver as coisas de forma mais clara porque experimentaram mais do que qualquer outra pessoa a brutalidade do sistema atual.


Tradução Pedro Braga

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Entrevista
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