MINERAÇÃO

Por Fernanda Perdigão

 

Passados 3 (três) anos e 8 (oito) meses do desastre-crime da empresa Vale S.A com o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, as pessoas atingidas vítimas dos danos ainda existentes, criam a Carta Manifesto pela Vida, como um pedido de socorro.

É preciso relembrar que em fevereiro de 2021, o Estado de Minas Gerais juntamente com os Ministérios Públicos Federal e Estadual e Defensoria Pública do Estado, firmaram junto à empresa ré Vale S.A um Acordo Judicial que trata dos danos coletivos provocados pelo desastre-crime, há época, as pessoas atingidas denunciaram a não participação de grupos e pessoas atingidas nas tratativas do Acordo Judicial.

O Acordo Judicial expressa o montante de cerca de 37 bilhões de reais, de forma que cerca de 11 bilhões são definidos pelo Estado de Minas Gerais como compensação pelos prejuízos econômicos imputados pelo desastre-crime ao Estado, e dois anexos que totalizam aproximadamente 3 bilhões de reais – sendo 1,5 bilhões para o município de Brumadinho e o restante distribuídos nos 26 municípios afetados ao longo da bacia do Rio Paraopeba – conforme expresso no próprio Acordo, os anexos 1.3 e 1.4 são para fortalecimento de políticas públicas.

As pessoas atingidas denunciam que tais anexos priorizam obras de infraestrutura viária, não existindo investimentos para a saúde pública a fim de suportar o adoecimento – físico e mental – devido aos danos existentes, dentre eles a contaminação por metais pesados, comprovados por estudos já realizados como a pesquisa da Fiocruz.

No mês que marca a prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo, a Rede de Articulação da Bacia do Paraopeba – Paraopeba Participa – realiza ações de conscientização da importância dos cuidados com a saúde mental, promoveram uma live sobre o tema e denunciaram os graves danos nos 26 municípios afetados na Bacia do Rio Paraopeba e no caso do Município de Brumadinho a gravíssima marca de 146 (cento e quarenta e seis) casos registrados de tentativas de suicídio, e o aumento abusivo de uso de ansiolíticos e antidepressivos chegando a ser distribuídos no ano de 2021 mais de 90.000 comprimidos também no município de Brumadinho.

E, através da Carta Manifesto pela Vida, as pessoas atingidas pedem que os poderes de Estado cumpra com seu dever na defesa ao direito à vida e à dignidade da pessoa humana, como um pedido de socorro aos Compromitentes do Acordo Judicial, mas também à Sociedade Civil.

Os danos provocados por desastres como o ocorrido pelo rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão tem danos a curto, médio e longo prazo, com consequências graves e profundas para as pessoas e comunidades atingidas.

É preciso que os Poderes do Estado, tomem as providências necessárias para amenizar o sofrimento humano imputado pela empresa Vale S.A à essas centenas de milhares de pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão.

Seguindo os dizeres do Paraopeba Participa, Falar Pode Mudar Tudo!