CONTO

Por Valéria Soares

 

De pipa para Pernambuco pela estreita estrada, seguimos. Nada no peito a não ser a batida do novo. Um beat surdo que ecoa único em cada ouvido. Seguimos. Somos expectativa e viagem.

Os olhos decifram a paisagem: o pequeno cemitério cheio de árvores floridas e um homem só, que olha um túmulo de alguém que pela primeira vez está só.

O caminho não é este, mas termina no encontro do rio com o mar. Beleza pura. Voltamos à estrada desejada, à experiência planejada, ao rumo escolhido.

Entre os coqueiros aceleramos e assistimos ao vento. Uma torre de telefonia informa que o aparente isolamento não existe.

O gado branco e magro descansa. Longos espaços sem ninguém. Mal sabemos em que dia da semana estamos.

O peixe rosado é escamado as senhoras conversam a varanda é gradeada a casa é verde e rosa a lavoura é de camarão.

Uma Assembleia de Deus, um jardim de mandioca, uma conversa animada no botequim.

O vento dança nos coqueiros. Os pensamentos vão devagar… Devagar, a vida passa no olhos de ressaca do homem que olha a segunda-feira.