CULTURA

Por Valéria Soares

 

As ruas de Olinda aconchegam, atraem. Exigem olhos sensíveis para tanta arte, para tanta diversidade de expressão. Suas ladeiras desenham sinuosas curvas ora à direitas ora à esquerda. É preciso subir, erguer o olhar para estar a altura de tal lugar.

Dos caminhos aos encontros sempre marcantes. O povo é especial como o lugar ou talvez o lugar seja especial devido ao povo. Quem ali mora, tem alma pulsante, gosta de gente, de relacionamentos, da madrugada, de festas, de gente que nunca viu e de gente que vê todo dia. Gosta de abraço, mesmo em tempo de pandemia. Gosta de sorrir, gosta de carnaval.

Há arte nas feiras, nas esquinas, nas praças, nas igrejas, nas casas. Nas mãos que tecem, esculpem, costuram, cozinham, tocam e encantam todos. Há beleza no jeito gostoso de falar cantado e na simpatia ímpar. Há força, ânimo para confeccionar o belo todos os dias.

Também há história. Nas casas tombadas, lindamente preservadas. Nas igrejas ornadas com ouro, Carrara e madeira nobre. No antigo mercado de escravos que no lugar da tristeza, da dor, da agonia e da morte; resiste com cor, graça e talento inclusive de alguns descendentes daqueles que antes tiveram a vida emudecida.

Há gente, há arte, há história , há beleza em Olinda. Principalmente, há o recorte de um Brasil que se recusa a ser medíocre.