Remoções em meio à pandemia no Metrô-Mangueira

26.06.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Redação Rio de Janeiro

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Remoções em meio à pandemia no Metrô-Mangueira
(Crédito da Imagem: ADEP)

Por ADEP/Ação Direta em Educação Popular

Desde de 2014, a comunidade do metrô-mangueira (conhecida como favelinha) sofreu uma série de remoções criminosas, tendo em vista a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A ADEP tem apoiado a resistência da comunidade desde esta época. Em 2016, casas chegaram a ser demolidas com pessoas dentro e o apoio dos estudantes da UERJ foi fundamental para levar a favela à Universidade em ato. Nesta ocasião, seguranças da Universidade tentaram impedir a entrada daqueles que buscavam escapar da violência policial e chegaram a quebrar uma vidraça e manter estudantes presos sob ameaças dentro de uma sala. A repercussão causada pelo ato na UERJ foi fundamental para que a comunidade ganhasse uma liminar impedindo a continuidade da remoção. Cumpre lembrar que no local habitam mais de 100 crianças. Faz tempo que nossos apoiadores desenvolvem atividades lúdicas com essas crianças, incluindo filmes, capoeira, teatro e outros eventos culturais que acreditamos fazer parte do desenvolvimento da autoestima, da criação da identidade social e do próprio direito à infância. O Estado, por sua vez, quando aparece no local através das suas forças de segurança, é apenas para desrespeitar direitos básicos; abusar da autoridade e efetuar prisões arbitrárias. Ainda este ano, já durante a pandemia, recebemos a denúncia de que pessoas estavam sendo sequestradas por policiais, que cobravam resgate para não forjar flagrantes, tão certos são da falta de lei e da impunidade que impera por meio da política de segurança pública nas favelas.

Hoje, dia 25/06/2020, fomos informados logo cedo de uma nova remoção ocorrendo no local, propagandeada pela mídia como um grande feito da prefeitura do Rio agindo conjuntamente com subprefeitura da Tijuca. As casas que foram removidas desta vez, eram construções recentes, não cobertas pela liminar que impediu a continuidade do desalojo em 2016. Mas é importante dizer que, ao contrário do que está sendo noticiado, não eram casas construídas para venda ou aluguel por aproveitadores, mas que estavam sendo feitas com muito esforço e dificuldade por pessoas a quem o direito constitucional à moradia é negado sistematicamente. Também se tentava construir uma nova sede para a associação de moradores e uma igrejinha local, ambas derrubadas em remoções anteriores e que não puderam ainda voltar a existir. Se casas voltam a ser construídas no local, isso se deve primariamente e antes de tudo ao fato de que existem milhares de pessoas sem casa ou morando distantes de seus trabalhos, tendo que se arriscar diariamente em transportes públicos insalubres durante uma pandemia. As casas que foram na época demolidas deixaram um enorme espaço vazio, que a prefeitura não usa e não permite às pessoas necessitadas voltarem a ocupar porque tem planos de conseguir acabar de vez com a favelinha. NO que talvez acreditassem os moradores locais, que permitiram as novas construções, é que em meio a covid-19 não poderia haver remoção, mas nisso subestimaram o caráter genocida do poder público, que espera as pessoas gastarem suas poucas economias para construir algo e vai na sequência destruir, sem que ninguém seja ressarcido ou indenizado. Ao lado disso, a classe média hipócrita da Tijuca e adjacências sorri e comemora, segura em suas casas, a midiática e bem-sucedida operação policial. Para essas pessoas, gostaríamos apenas de lembrar que moradia é direito fundamental e que negar este direito, sobretudo neste momento, é política de morte.

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Política
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