Fature-se ou future-se?

17.07.2019 - Vinícius Chamlet

Fature-se ou future-se?

Programa lançado pelo Ministério da Educação busca atrair capital privado para o financiamento das Universidades Federais no Brasil. O plano nefasto pode ter como efeito a privatização do ensino superior e a elitização dos estudantes. Ou seja: vende-se para a iniciativa privada, e se restringe quem pode estudar lá.

O plano do MEC é que as universidades possam ou não aderir ao projeto “Future-se”, o que esconde o caráter cruel da medida. Com poucos recursos e já em atrofia orçamentária desde o governo Dilma-Temer, as UFs padecem com a carência de insumos básicos. Falta de tudo.

Um dos casos mais emblemáticos do corte de recursos é o da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que teve sua luz cortada após falta de pagamentos. O atual ministro da educação diz que se trata de mau gestão. Errado. Faltou recursos para custear algo tão básico como a luz.

A expansão do ensino no período petista

Nos últimos anos o Brasil vivenciou um crescimento do seu sistema de ensino superior pautado pelos binômios Fies-Prouni e Reuni-Cotas. O primeiro se baseava no incentivo à iniciativa privada, em uma onda neoliberal. Liberava crédito estudantil (Fies) e realizava a renúncia de impostos (Prouni) para a concessão de bolsas de estudos. Já o segundo se baseou em uma expansão das universidades federais (Reuni) e  uma política de inclusão de setores da sociedade historicamente excluídos (Cotas).

As exportações para a China ajudaram a criar as condições orçamentárias para isso. É importante frisar que o gigante asiático foi um dos fatores responsáveis pelo crescimento brasileiro no período petista.

Como resultado tivemos a ampliação da disponibilidade de vagas. A criação de inúmeras universidades. Em um modelo que priorizava o nacional desenvolvimentismo.

Universidade para quem?

O conhecimento científico tem sido duramente atacado. De terraplanistas ao revisionismo histórico. Ao mesmo tempo sob a ótica de manter o Brasil como uma colônia, uma grande fazenda, e de uma economia de recursos doentio (só se pensar em redução de custos, sem pensar em geração de demanda, em gerar as reais condições de aumento de emprego, etc.), a educação é vista como gasto e não investimento.

Os movimentos em defesa da educação que tomaram as ruas recentemente mostraram que a sociedade civil não deixará que a educação seja reduzida a uma mera mercadoria. Que os espaços conquistados sejam fechados, sucateados e abandonados.

Categorias: Economics, Education, Human Rights, South America
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