Democracia e Bom Viver: Apelo às Consciências

10.12.2018 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

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Democracia e Bom Viver: Apelo às Consciências
(Crédito da Imagem: Mídia NINJA)

Vamos unir-nos para defender a vida e resistir às ameaças globais!

O Apelo às Consciências é uma iniciativa da Rede Diálogos em Humanidade. Faz uma síntese das duas grandes ameaças que pairam sobre a humanidade atual: o fundamentalismo de mercado e o fundamentalismo identitário. A primeira leva à opressão e exploração dos seres humanos pelo sistema de mercado, bem como à destruição de biomas e ecossistemas e ao aquecimento da atmosfera pelas emissões de gases de efeito estufa, que já atingem níveis muito perigosos. A segunda leva ao “congelamento emocional e relacional”, que sufoca o sentido da solidariedade e gera desprezo pelos mais oprimidos e vulneráveis. Conduz também a um pensamento único, dogmático, totalitário e excludente. O Apelo nos convida a nos unirmos para resistir a essas ameaças e combatê-las com ações que vão à raiz e não apenas aos sintomas.

O Apelo será lançado em três ocasiões durante o mês de dezembro de 2018: a Conferência do Clima (COP24), na Polônia; os eventos comemorativos dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) – ONU; e a Ágora dos habitantes da Terra, que se reunirá em Sezano/Verona, Itália, entre 13 e 16.12.18. A partir deste Encontro, emergirão diretrizes de ação para enfrentar por todos os meios não violentos o sistema econômico, político, social, cultural e ideológico que está na raiz das aflições vividas hoje pela vida e pela humanidade no planeta Terra.

 

Apelo às Consciências

Redes de ciudadãs e cidadãos planetários

Por ocasião do 70o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Elix, símbolo de um cidadão de um mundo de paz, escolhido pelas Nações Unidas para ilustrar o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Nós, cidadãos dos povos da Terra, temos consciência do perigo mortal que pesa sobre o futuro de nossa humanidade comum. De fato, um duplo distúrbio climático ameaça a vida em nosso planeta. O primeiro é expresso ecologicamente pelo risco de nossa Terra-Pátria – a nossa “Mãe Terra”, nas palavras dos primeiros povos – tornar-se um “chão de vidro” inabitável para um número crescente de pessoas. Isso afetaria mais de um bilhão de seres humanos se o aumento da temperatura atingisse o limite de 4°C, e muito mais se esse limite fosse excedido. Esse aquecimento médio leva à acentuação de eventos extremos: inundações tanto quanto secas, incêndios, pragas, ciclones e tempestades. Mas a mudança climática tem outra face: a glaciação emocional e relacional expressa pela ampliação das desigualdades e do desprezo pelos mais pobres. Mais sério ainda, o medo de descer na escala social resulta na luta entre as próprias vítimas: os trabalhadores, os precários, os sem teto, os imigrantes … Quem quer que sinta a ameaça de perder o pouco que possui ou que lhe resta, teme que outro ainda mais pobre tome seu lugar.

Por sua ambição, seu cinismo e sua desigualdade, o fundamentalismo de mercado deu origem a uma dupla monstruosa: o fundamentalismo de identidade, que pode assumir formas religiosas, nacionalistas, xenófobas ou expressar-se tanto pelas armas quanto nas urnas. A chegada ao poder de indivíduos que representam uma ameaça não apenas à democracia e aos direitos humanos – começando pelos direitos das mulheres – mas também aos equilíbrios ecológicos, é uma manifestação cada vez mais perigosa desse fundamentalismo. Nas Filipinas, Hungria, Estados Unidos, Itália, Brasil, Colômbia, Equador, e outros, forças social e ambientalmente injustificáveis ameaçam a humanidade no que é mais essencial: viver em paz em um planeta habitável.

Por causa da instrumentação de medos e manipulação de informações em campanhas eleitorais, irresponsáveis e criminosos podem hoje, como nos anos 1930, chegar ao poder se abrigando sob formas aparentemente legais, aproveitando o cinismo de alguns e o medo ou covardia de outros.

Diante deste duplo risco e da batalha global que se anuncia, nós nos recusamos a ceder ao medo e a tolerar passivamente a disseminação desse perigo mortal. Organizaremos uma Resistência criativa em todos os lugares, baseada na rejeição da regressão social, da irresponsabilidade ecológica e do desprezo aos direitos humanos fundamentais.

Vamos declarar ilegítimo qualquer poder que não cumpre os três pilares essenciais da convivência da humanidade num planeta protegido: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os pactos sociais das Nações Unidas e as convenções internacionais destinadas a assegurar a sustentabilidade do nosso planeta, em particular o Acordo de Paris sobre a luta contra as mudanças climáticas. Recusamo-nos, por todos os meios não violentos ao nosso alcance, incluindo boicotes e desobediência civil contra a autoridade ilegítima, deixar-nos dominar ou intimidar por aqueles poderes. Vamos criar, sempre que possível, territórios-refúgios para as vítimas destes poderes e oásis de vida para enfrentar os desertos de morte que fabricam concertadamente regressão social, irresponsabilidade ecológica e violação dos direitos humanos. Vamos nos organizar para construir essa Resistência criativa, mas também para viver positivamente, todas aquelas e aqueles que fazem cada dia a escolha pelos valores económicos, ecológicos, sociais, políticos e culturais de uma sociedade do bem viver. Trabalharemos para conectar todos esses territórios e todos esses oásis da vida, desde os bairros de nossas cidades e as aldeias de nosso campo até toda a nossa Terra-Pátria.

Lançaremos solenemente este Apelo às Consciências em 10 de dezembro de 2018, por ocasião do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

* REDE GLOBAL DIÁLOGOS EM HUMANIDADE
* ARQUIPÉLAGO CIDADÃO DOS DIAS FELIZES
* RÏSE – REDE INTERNACIONAL PELA INOVAÇÃO SOCIAL E ECOLÓGICA
* ÁGORA DOS HABITANTES DA TERRA – AHT
* GLOBAL SOCIAL JUSTICE, BRUXELLES

Categorias: Direitos Humanos, Ecologia e Meio Ambiente, Internacional, Não violência, Nota de imprensa
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