Compaixão e cura pela humanidade: Experimentando fazer política pós materialista

Este artigo também está disponível em: Inglês, Espanhol, Francês

(Crédito da Imagem Gerd Altmann/Pixabay.)

A Multiconvergência de Redes Globais -MRG promove um encontro inspirado nas metodologias do Teatro do Oprimido e das Constelações Familiares.

Será no Fórum Social Mundial 2022, no dia 05.05, às 11h Brasília em modo online em quatro idiomas (português, francês, inglês e espanhol) no link https://join.wsforum.net/activities/11039.

Espera-se viver coletivamente um momento de compreensão alargada dos contextos estruturais e individuais de conflitos ancestrais da espécie humana, buscando a cura pela compaixão.

As diferentes redes que compõem a MRG e todas as pessoas interessadas serão cocriadoras de uma vivência profunda, sem discurso e sem abstrações. Pelo Teatro do Oprimido serão evocadas injustiças estruturais como o racismo, o machismo, a escravidão, a colonização, a xenofobia, a homofobia, entre outras. Através da dinâmica das Constelações Familiares buscar-se-á a liberação, no campo vibracional, da dor da injustiça na História humana, pelo reconhecimento das lealdades inconscientes e da necessidade de pertencimento que estão por trás de tantas atrocidades cometidas por indivíduos. Juntando a compreensão das estruturas de injustiça e as motivações individuais de pertencimento a essas estruturas, tentaremos um momento de superação da velha selvageria humana, ao menos no coração de cada pessoa presente, abrindo novos caminhos.

Trata-se de uma experimentação do fazer política para além do materialismo das estruturas, sem negá-las e reafirmando o comprometimento em superá-las. O que se traz de novo é a compaixão não só pelas vítimas, mas também pelos indivíduos perpetradores das injustiças e o reconhecimento da interdependência humana na grande teia energética da Vida. Dá-se o passo de reconhecer que existem lealdades inconscientes e necessidades de pertencimento a famílias e grupos por traz das injustiças cometidas pelos indivíduos. Nessa metodologia, a busca da superação da opressão estrutural e a compaixão são processos complementares que visam evitar círculos infinitos de ódios que mantém o sofrimento, para que seja possível passar à construção da cura pela justiça e pela paz.

Para criar um ambiente em que cada pessoa acessa no fundo de si mesma a compreensão das fragilidades humanas, reconhecendo o desejo profundo de ser amado que motiva cada pessoa, visualizações criativas e círculos de partilha serão utilizadas, além das técnicas já citadas. Pretende-se finalizar o encontro no FSM com alegria celebrando a possibilidade de evolução da Humanidade pela superação das estruturas opressoras que aprisionam vítimas e perpetradores e visualizando a possiblidade de construção da unidade humana por estruturas novas e seres humanos mais conscientes.

Como será o evento?

O encontro realizado pela plataforma Zoom, que permite a tradução simultânea e a divisão em grupos por salas por língua, contará com cinco fases: Na fase um (40 min) são dadas as boas-vindas, a metodologia é explicada, se faz uma breve visualização criativa e uma dramatização sobre divisões que atualmente, ou no passado, são vividas por populações do mundo. Visa-se aí sensibilizar as pessoas em face à opressão de modo a que integrem o legítimo desejo de superação de estruturas injustas com uma percepção mais ampla, integrando visões e emoções das pessoas presentes em ambas as partes em conflito. Passa-se a um momento de quietude para integrar as emoções suscitadas e elaborar a paz interna.

Na fase dois (50 min), já em grupos divididos por línguas, se passa a uma visualização criativa em que se convida as pessoas a entrarem em contato com suas emoções em face a uma situação concreta de opressão segundo o roteiro por língua (Português – Escravidão; Francês – Racismo; Espanhol – Machismo; Inglês – Desigualdade). Em seguida as pessoas que animam a sessão convidam dois ou quatro participantes para se colocar no lugar dos dois lados do conflito. Após o teatro, quem quiser pode completar, também teatralmente, as representações feitas na encenação. Em seguida, passa-se a uma rodada de falas curtas onde os e as participantes expressam sua emoção em face ao conflito visto de forma mais ampla, em que se pode perceber as motivações, valores e sentimentos dos dois lados.

Na fase três (30 min), de retorno à grande sala multilíngue, coordenadorxs de cada grupo fazem um breve relato (3min cada) sobre o que foi vivido em cada tema e sala linguística. Passa-se em seguida à meditação final em que cada pessoa é convidada a vislumbrar a grande teia da humanidade, com as diferentes motivações, lealdades e desejos de pertencimentos que mobilizam cada ser. Busca-se encontrar a paz e o perdão possível pelo entendimento das fragilidades humanas que nos afastam, por enquanto, do nosso destino de maior de amorosidade de uns e umas para com outros e outras. Celebra-se, nessa visualização meditativa, as evoluções que já foram possíveis na longa história humana e que deixaram para traz atrocidades que eram legitimadas pela cultura cotidiana e que hoje são abomináveis. Vislumbra-se criativamente um futuro de maior igualdade, cooperação e amorosidade.

Um pouco mais sobre a metodologia

Para um melhor entendimento da metodologia, é importante entender que a experiência é coconstruída, portanto aberta ao desconhecido, ao que será proposto pelos presentes. As pessoas que não estão familiarizadas com as metodologias do Teatro do Oprimido e sobretudo das Constelações Familiares precisam ser informadas que as encenações ultrapassam a inteligência mental e estabelecem um campo energético no qual cada participante é catalisadora e catalisador do processo. Quanto mais a audiência está conectada com seu coração e aberta à força vibratória da amorosidade que nos ajuda a evoluir, mais profunda será a experiência. Abrir o coração é ampliar as possibilidades de incluir o que é diferente, tomar consciência dos preconceitos internos e criar a coragem de tentar superá-los. Abrir o coração é fazer uma aliança com a paz e perceber o impacto da própria visão e ação, quando elas são conflituosas ou pacificadoras. É estar em presença profunda, sentir, refletir, transformar e contribuir para as transformações que estão alinhadas a serviço da paz e, portanto, da Vida.

A facilitação do processo deve estar inteiramente aberta à energia do grupo, para ajudar a que as e os participantes possam sentir com empatia os sentimentos daqueles que desempenham os papéis. É importante ter em mente que as sessões TO e CF são geralmente presenciais e que o fato da Internet permitir uma grande diversidade de público impõe também restrições ao método, que é mais simples e mais humilde. Sabe-se que quanto mais profunda a experiência se torna em um nível sutil, mais o caminho de cura pode se estabelecer para cada participante, que constrói, com seus recursos e histórias pessoais, a cura pela compreensão e compaixão. Esta parte silenciosa da metodologia, que se passa no interior de cada pessoa, é MUITO importante e deve-se dar tempo para ela, evitando excesso de palavras.

É importante abraçar o processo como uma mudança cultural que produzirá resultados a longo prazo. É uma tentativa de ver os conflitos em uma perspectiva compassiva, a fim de criar um ambiente, inclusive vibratório, propício a soluções e não a vinganças. Se se espera que as soluções para os problemas mencionados surjam a partir de experiências isoladas, fica-se desapontado. Apenas a repetição destas novas formas de fazer política (isto é, enfrentar juntos questões coletivas) pode reforçar os efeitos desse tipo de metodologia que entende que a realidade é material, mas também psicológica e vibratória e que se pode – e deve – atuar nos dois campos.


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