Na América Latina e no Caribe, mais de 156 milhões de estudantes foram afetadas e afetados pela suspensão das aulas devido à pandemia, segundo dados do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Ciência (UNESCO).

A transição forçada para o ambiente virtual expôs as diferenças educacionais e a exclusão digital da região, evidenciando uma desigualdade estrutural social e econômica que já existia antes da pandemia, mas que se aprofundou com ela.

Em todo o mundo, cerca de 60,2 milhões de professores tiveram que repensar suas relações de ensino-aprendizagem e suas pedagogias educacionais, para poder continuar com a missão educacional.

O mundo digital impõe múltiplas dificuldades, mas também gera oportunidades para o pleno exercício do direito humano à educação.

Em relação às oportunidades, é necessário citar dois elementos-chave: adaptação e tecnologia. A adaptação refere-se à possibilidade de que, como sociedade, encontremos mecanismos para continuar com o sistema nas formas como ele se estabelece: nós nos adaptamos à realidade, melhoramos as habilidades digitais, aproveitamos o fato de que ele nos permite acessar mais espaços a partir do conforto de nossas casas. Em relação à tecnologia, a possibilidade está ligada a poder chegar a lugares remotos, chegar a espaços que antes não podiam ser alcançados.

No que diz respeito às ameaças percebidas ao sistema educacional no ambiente digital, a reconfiguração do espaço de aprendizagem — embora seja verdade que tem permitido uma abrangência maior e a possibilidade de inúmeros elementos — também acentuou a exclusão digital. Ou seja, enquanto, em alguns espaços, o aprendizado e as formas de compartilhamento são mantidos através do virtual, em outros casos, o acesso é limitado e representa uma grande dificuldade não só para o estudante, mas também para toda a família.

Outra ameaça ou fator negativo é a perda do contato humano, que pode levar à perda dos laços afetivos, ao empobrecimento das relações pessoais, ao isolamento, fatores que aprofundam a lógica individualista.

Por fim, numa primeira abordagem do assunto, a última ameaça é a existência de uma orientação em que interesses privados de empresas comerciais multinacionais interferem em uma área que deveria ser reservada exclusivamente ao interesse público e comum, influenciando conteúdos, extraindo dados e lucros em um ressurgimento da concentração de riqueza e poder.

A questão dos efeitos da digitalização na educação e nas propostas coletivas de melhoria foi trabalhada por um grupo de estudos no âmbito da Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”, em 2020, a pedido do espaço multissetorial coletivo Internet Ciudadana.

A partir daí, alguns materiais-chave de divulgação em diferentes formatos foram consolidados e estão disponíveis abaixo.

 

(Infográficos) Elementos-chave sobre a educação na era digital

Uma produção de Pressenza para a Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

Faça o download aqui

 

(Podcast) Educação na era digital

Uma produção da ALER (Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica) para a Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

Para ouvir e baixar o podcast aqui

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(Vídeo) Educação na era digital (3’20”)

O vídeo mostra os desafios no campo educacional com o rápido avanço no uso das tecnologias digitais. Mostra também as propostas surgidas do Grupo de Trabalho sobre Educação no decorrer da Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

Ver ou fazer download aqui

O vídeo é uma produção da SurySurTV para a Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

Entrevista a Nelsy Lizarazo, da agência internacional de notícias Pressenza, coordenadora geral da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e facilitadora do Grupo de Trabalho sobre Educação no âmbito da Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

Uma produção da Coordenadora Latino-Americana de Organizações Rurais (CLOC-La Vía Campesina) para a Conferência “Utopias ou Distopias – Os povos da América Latina e do Caribe face à era digital”.

A produção de todo o material contou com o apoio financeiro e colaboração da WACC (Associação Mundial para a Comunicação Cristã) – Pão para o Mundo.


Tradução do espanhol Aline Arana/Revisão Graça Pinheiro