O 3º. Encontro do Conselho de Sabedorias dos Povos da Terra foi realizado em 04.09.2021, com todas as sete redes presentes. Com satisfação, observamos que o experimento do Parlamento da Cidadania Planetária vem se consolidando na medida em que o funcionamento dos grupos de trabalho dá organicidade ao processo, que cada Conselheira(o) vai assumindo uma função, e coletivamente, no GT, presta serviço ao experimento do Parlamento. Desta forma, o Pacto de Convivialidade estabelecido vai sendo praticado, a confiança interpessoal cresce, as divergências dão lugar a diálogos, e acordos vão sendo alcançados . A dinâmica de exercitar uma nova política vai sendo construída aos poucos, sem hierarquias, com protagonismo paritário entre mulheres e homens e entre as redes, em ambiente de cordialidade e respeito mútuo, para além das discordâncias.

O funcionamento qualificado do grupo de intérpretes em quatro línguas mobilizado pela MRG, profundamente envolvido com a ideia do Parlamento e em atitude de serviço voluntário, é um ponto alto do experimento, bastante representativo do espírito da liderança de serviço que marca esta iniciativa. O empréstimo pela URI (United Religions Initiative) de sua plataforma profissional para realização da reunião, que permite tradução simultânea e divisão em grupos por línguas, vem mostrando a força da união e da boa vontade para a realização de uma experiência tão internacional e inovadora, sem investimento financeiro. A ideia de que “estamos fazendo algo importante”, mesmo que modestamente, anima as redes presentes e sua representação feminina e masculina dá o melhor de si. Outro elemento de consolidação do processo é o fato de que se tornaram representantes de suas redes no Conselho duas pessoas que deram impulso à Multiconvergência de Redes Globais e à ideia do Parlamento: Moema Viezzer, pela Carta da Terra e Marcos Arruda, pela Ágora da(os) Habitantes da Terra.

No evento de setembro aconteceram relatos dos primeiros resultados dos trabalhos dos GTs: o Grupo 1, apresentou o avanço do seu trabalho de propor uma definição da Visão e Missão do Parlamento e discutiu-se a necessidade de priorizar alguns temas urgentes como a regeneração em face das mudanças climáticas, a defesa da paz e da democracia em face dos avanços fascistas, e de uma economia inclusiva e que valorize a Vida, diante da pandemia e aumento da exclusão. Do mesmo modo, o Grupo 2 fez sua proposta preliminar sobre a Metodologia de funcionamento do Parlamento, avançando na discussão sobre o Pacto de Convivialidade já discutido pelas Redes e que vem mostrando ser uma importante ferramenta política. O Grupo 3, responsável por detalhar o projeto da Assembleia da Cidadania Planetária, apresentou uma tabela com seis critérios para inclusão de representantes de cada rede da MRG (pluralidade de gênero, de escolaridade e sabedorias, de renda, de localização continental, de etnia e idades). O Grupo 4, de ampliação do Parlamento, vai criar sua estratégia de expansão para novas redes que também incluam o universo empresarial e de tomadora(e)s de decisões. Para viabilizar a expansão, o GT4 defendeu que seria interessante amadurecer-se o processo com reuniões menos formais e sem tomada de decisões, de forma que novas redes venham a compor a experiência sem encontrar um processo totalmente definido.

Ao tempo em que a MRG busca identificar outras experiências de constituição de parlamentos planetários, antigas ou novas, e trocar experiências com ideias similares como o parlamento que está sendo experimentado no processo da COP 26, ela aprofunda seu experimento. Vem se observando, por exemplo, talvez pela paridade de gênero na constituição do Conselho de Sabedorias, uma complementaridade muito importante entre papéis que podemos chamar de Yang e Yin. O primeiro papel, importante, mas mais tradicional, de proposição conceitual e foco nos resultados, se equilibra com o segundo, inovador e feminino, que busca amalgamar o pluralismo focando na realização dos objetivos ao superar as divergências pelo diálogo. Percebe-se também uma formidável presença da ação organizativa concreta para além da elaboração intelectual, onde Conselheira(o)s, Impulsionadora(e)s da MRG e colaboradora(e)s das redes de apoio executam as diversas tarefas práticas necessárias para fazer o processo do experimento avançar.

E assim, segue a experiência do Parlamento da Cidadania Planetária com uma nova sessão marcada para o dia 09 de outubro, das 11 às 13h (hora de Brasília). Mais uma vez, duas novas redes, Carta da Terra e Diálogos em humanidade, responsabilizam-se pelo encontro, apoiadas pelo grupo Impulsionador, formado por um representante de cada rede da MRG. Mais uma vez Conselheiras e Conselheiros assumem o risco de inovar, de tentar, de experimentar algo tão necessário nesses tempos de incertezas e sofrimentos: construir uma participação cidadã democrática, inclusiva, e criativa em escala planetária para enfrentamento das questões do nosso tempo.


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