Por Jorge Escobar Banderas

A pandemia não serviu de impedimento para a mobilização da Minga Indígena, que saiu em caravana pela Colômbia, neste ano de 2020. Por mais de duas semanas, os povos indígenas colombianos levantaram a voz com o objetivo de expor as dificuldades que vêm enfrentando em seus territórios.

Um dos objetivos era conseguir uma audiência com o Presidente da República, Iván Duque. No entanto, este pedido não foi atendido pela cúpula do governo. O Executivo optou por enviar uma representação de ministros e servidores para conversar com mingueros na cidade de Cali. Diante dessa situação, a minga decidiu se mobilizar e partir em caravana em direção a Bogotá.

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De acordo com o conselheiro sênior Hermes Pete Vivas, do Conselho Regional Indígena Cauca (Cric), muitos acordos e propostas foram construídos com o Governo Nacional, porém sem nenhum avanço significativo no sentido de cumpri-los. O conselheiro Pete alegou que “eles colocaram os recursos no papel, mas não vemos a eficácia em fazer progressos”.

La deuda del gobierno colombiano con la Minga Indígena

Foto: Conselho Regional Indígena de Cauca

 

Por sua vez, o conselheiro Pete mencionou que os compromissos têm sido repetidamente protelados até o final do mandato dos governantes, levando, assim, à falta de continuidade nos processos em andamento.

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Em relação à minga organizada neste ano, Pete assegurou que essa caravana tem um caráter político e busca debater com o Presidente Iván Duque questões como a implantação do Acordo de Paz nos territórios onde se encontram diferentes comunidades indígenas. Pete diz que “essas situações nos fazem refletir bastante, pois também somos colombianos e sentimos a necessidade de estabelecer o diálogo”.

Da mesma forma, o conselheiro sênior da Cric destacou que a questão da segurança tem despertado preocupação no seio das comunidades indígenas, por conta dos assassinatos e massacres que foram perpetrados no decorrer deste ano.

Em 19 de outubro, enquanto a minga acontecia em Bogotá, os povos do sudoeste do país realizaram um julgamento contra o Presidente da República, que foi considerado culpado pelas autoridades indígenas por não garantir proteção na defesa da vida e da paz nos territórios, questão que até hoje persiste e só fez piorar, após a mobilização e as demandas.

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Traduzido do espanhol por José Luiz Corrêa / Revisado por Tatiana Elisabeth