Um poema de Eliane Potiguara

21.11.2020 - Itália - Loretta Emiri

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Um poema de Eliane Potiguara
Eliane Potiguara (Crédito da Imagem: acervo pessoal)
CULTURAS

 

 

Eliane se define cidadã do mundo. É formada em Letras e especialista em Educação. É professora, escritora, poeta, ativista descendente do povo potiguara.

É fundadora e coordenadora do GRUMIN – Grupo Mulher/Educação Indígena, que é a primeira organização de mulheres indígenas surgida no País, com isso tornando-se participe da criação e evolução do movimento indígena brasileiro.

Durante uma década participou da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Indígenas na ONU em Genebra. Em 1988 foi eleita uma das dez mulheres do ano no Brasil. Foi agraciada com o título de Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural. É Embaixadora da Paz pelo Círculo de Escritores da França.

Sua obra obteve reconhecimentos e premiações em nível nacional e internacional, entre os quais o Pen Club da Inglaterra, o Fundo Livre de Expressão dos EUA. As múltiplas atividades por ela desenvolvidas vertem em torno dos direitos dos povos indígenas, da biodiversidade, dos conhecimentos tradicionais. Edito pela Global Editora, seu livro de grande sucesso é Metade cara, metade máscara.

O titulo do poema de sua autoria que escolhi vos apresentar é:

 

Oração pela libertação dos povos indígenas

 

Parem de podar as minhas folhas e tirar a minha enxada

Basta de afogar as minhas crenças e tirar minha raiz.

Cessem de arrancar os meus pulmões e sufocar minha razão

Chega de matar minhas cantigas e calar a minha voz.

Não se seca a raiz de quem tem sementes

Espalhadas pela terra pra brotar.

Não se apaga dos avós – rica memória

Veia ancestral: rituais pra se lembrar

Não se aparam largas asas

Que o céu é liberdade

E a fé é encontrá-la.

Rogai por nós, meu Pai-Xamã

Pra que o espírito ruim da mata

Não provoque a fraqueza, a miséria e a morte

Rogai por nós – terra nossa mãe

Pra que essas roupas rotas

E esses homens maus

Se acabem ao toque dos maracás.

Afastai-nos das desgraças, da cachaça e da discórdia,

Ajudai a unidade entre nações.

Alumiai homens, mulheres e crianças,

Apagai entre os fortes a inveja e a ingratidão.

Dai-nos luz, fé, a vida nas pajelanças,

Evitai, ó Tupã, a violência e a matança.

Num lugar sagrado junto ao igarapé.

Nas noites de lua cheia, ó MARÇAL, chamai

Os espíritos das rochas pra dançarmos o Toré.

Trazei-nos nas festas da mandioca e pajés

Uma resistência de vida

Após bebermos nossa chicha com fé.

Rogai por nós, ave-dos-céus

Pra que venham onças, caititus, seriemas e capivaras

Cingir rios Juruena, São Francisco ou Paraná.

Cingir até os mares do Atlântico

Porque pacíficos somos, no entanto.

Mostrai nosso caminho feito boto

Alumiai pro futuro nossa estrela.

Ajudai a tocar as flautas mágicas

Pra vos cantar uma cantiga de oferenda

Ou dançar num ritual lamaká.

Rogai por nós, Ave Xamã

No Nordeste, no Sul toda manhã.

No Amazonas, agreste ou no coração da cunhã.

Rogai por nós, araras, pintados ou tatus,

Vinde em nosso encontro

Meus Deus, NHENDIRU!

Fazei feliz nossa mintã

Que de barrigas índias vão renascer.

Dai-nos cada dia de esperança

Porque só pedimos terra e paz

Pra nossas pobres – essas ricas crianças.

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia
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