Sobre quem se atreve a sair da invisibilidade

17.09.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Redação Rio de Janeiro

Sobre quem se atreve a sair da invisibilidade
Ato-Homenagem à Marielle Franco, março 2019, Belo Horizonte (Crédito da Imagem: Mídia Ninja)

Por Vera Lucia S. S. Gregorio

 

Li um comentário num post, em que o autor pretendia ser irônico, depreciando o lugar da Marielle Franco nesse momento histórico. Ele perguntava com sarcasmo: —Quem é Marielle?

Resolvi responder (não tenho procuração da família dela pra isso, mas resolvi):

Marielle era uma pessoa comum, como tantas de nós.

Tinha, na sua composição o negro, o branco, quiçá uma porção indígena também.

Assim, como a maioria de nós.

Uma pessoa comum, que como eu ou você, passaria despercebida na multidão; que como eu ou você acalentava sonhos.

Uma pessoa corajosa, como eu ou você, na realização desses sonhos.

E como eu ou você, talvez caminhasse por pequenos trechos escuros do caminho, com um pouco de medo, ou com a falta de percepção dos perigos que poderia haver.

E uma pessoa tão comum assim não poderia se dar ao luxo de sair da multidão, de ter identidade própria, de pensar com sua própria cabeça, muito menos se desgarrar do rebanho, que é levado mansamente do pasto ao curral; do curral ao pasto (“… êh, vida de gado…”).

Não. Essa é uma regra implícita, não está escrita em lugar nenhum, mas é de conhecimento geral.

A massa deve ser uniforme, coesa, invisível se possível.

Não deve percorrer, mesmo que por poucos metros, caminhos diferentes e, com isso correr o risco de ter visibilidade.

Mesmo que só esteja correndo atrás dos seus sonhos, do seu ideal de vida (ideologia… ela tinha uma pra viver).

E agora, completando 30 meses do seu assassinato, continuam perguntando “quem é Marielle?”.

Então… Essa é a Marielle, a Ana, a Joana, a Helena e tantas outras, que se sentem representadas num lugar de fala e visibilidade, que propicia o resgate de anos de cidadania de segunda classe.

A cada movimento desses a sociedade estremece e sente a força que existe por detrás de pessoas simples e normais.

Como eu ou você.

“Quem matou Marielle?” Sim, essa é a indagação que merece ser respondida. Porque quem a matou, continua nos matando pouco a pouco, dia a dia com o objetivo de nos fazer desistir de existir.


* Mestra em Cognição e Linguagem, M.B.A em Gestão, Especialista e Mediadora em EaD., Pedagoga.

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Gênero e feminismos, Opinião
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