De cidade pacata para a violência diária

14.08.2020 - Belo Horizonte, Brasil - Fernanda Perdigão

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De cidade pacata para a violência diária
Homens armados nas ruas de Brumadinho. Imagem enviadas pelos vizinhos

A cidade de Brumadinho em Minas Gerais, palco de um dos maiores Crimes Humano e Ambiental devido ao rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão da empresa Ré Vale S.A., sofre impactos do rompimento como os agravos a saúde mental, doenças dermatológicas e respiratórias devido aos rejeitos de minério derramados e é alvo de criminosos.

Na madrugada de 14 de agosto, a cidade foi cenário da ação de um grupo que invadiu o centro de Brumadinho na tentativa de roubar a única agência da Caixa Econômica Federal. Munidos de explosivos e armamento pesado, explodiram as bombas nos caixas eletrônicos da agência mas, devido a uma denúncia anônima a Polícia Militar agiu de imediato. Na ocorrência foram deslocados equipes do BOPE e Tropa de Choque.

Agência da Caixa, Brumadinho. 14/08/2020. Imagem enviada pelos vizinhos

 

Segundo informações do Sargento Avelar da 215° CIA PM/48 BPM/2 RPM de Brumadinho,

“Houve uma denúncia anônima; quando chegaram ao local, os suspeitos já haviam explodido os caixas. Ao serem receptados por equipes do BOPE e Tropa de Choque, houve tentativa de fuga, com tiroteio”.

Segundo o Sargento Avelar, os suspeitos tinham armamento pesado. Três suspeitos morreram no local. Outros dois invadiram uma residência próxima à agência fazendo os moradores de reféns. Foi realizado o cerco e eles se renderam. oO veículo utilizado ainda não foi identificado, e a princípio os suspeitos identificados são da cidade de Divinópolis (MG). Ainda segundo o Sargento Avelar, o caso será acompanhado pela Polícia Federal.

O assessor de comunicação da Prefeitura de Brumadinho, Décio Júnior, em conversa com a Pressenza sobre o aumento da criminalidade na cidade após o rompimento da barragem disse que:

“Realmente tiveram ocorrências que não eram comuns na cidade. No ano passado tivemos a tentativa de sequestro da gerente do Banco Sicoob, também com tiroteio mas sem graves consequências. Ontem 13 de agosto tivemos um assassinato em plena luz do dia na linha férrea no Centro da cidade e nessa madrugada essa nova ocorrência. São ocorrências que assustam, mas, não podemos precisar a ligação dessas ocorrências com o pós rompimento da barragem. O que podemos afirmar é um aumento da população local, girando em torno de 5 mil habitantes a mais devido as várias contratações para empresas terceirizadas da Vale S.A.. Não posso afirmar que houve aumento da criminalidade devido ao rompimento, mas existiram três graves ocorrências pós rompimento.”

Nos relatos de alguns moradores, podemos perceber o medo e a insegurança com o aumento de casos de violência na cidade. Alguns moradores percebem essa mudança na segurança como também reflexo do rompimento da barragem da empresa Ré Vale. S.A. Citam o aumento de pessoas de fora do município e também a imagem de que a comunidade está recebendo valores como o pagamento emergencial definido pelo Juiz da 2° Vara de Fazenda e Autarquias de Belo Horizonte, onde os valores variam de 1 salário mínimo (R$ 1.045,00) à ⅓ do salário, seguindo critérios para adultos, adolescentes e crianças como também a divulgação por parte da empresa Ré Vale S.A. de acordos de indenização pactuados com atingidos (as).

Mesmo diante a realidade de que tais acordos não têm sido firmados de forma a atender os atingidos (as) do rompimento da barragem como também não ser todo morador do município a receber os valores definidos como pagamento emergencial, a empresa Ré Vale S.A. circula nos canais de comunicação a informação de investimento no município. Para os moradores essa propagandas trazem mais risco à comunidade e chama a atenção de criminosos.

“Desde a data de 25 de janeiro de 2019 no trágico crime da Vale só temos enfrentado problemas, com o aumento na criminalidade, já que a quantidade de pessoas de fora aumentou, e o efetivo policiamento continua o mesmo. São vários roubos em casas principalmente na Zona Rural onde nem posto policial há. Temos apenas um efetivo da polícia, a chamada Patrulha Rural o que é ineficaz já que são várias comunidades. Nosso medo, é sem dúvida com essa propaganda dada pela Vale de que está fazendo acordos individuais e vem fazendo o pagamento emergencial, onde a criminalidade também fica monitorando nossas vidas. A Vale nos tirou a paz de viver, a paz de morar num município sempre calmo, anteriormente e o reflexo pós tragédia só aumenta e infelizmente não conseguimos ver um futuro próximo já que em outubro há programação de término do pagamento emergencial. Todos sabemos que esse emergencial ajuda muita gente mas também trouxe aumento no uso de drogas e álcool e nenhuma política foi desenvolvida para combate a esse aumento. Esse desabafo é de um morador, cidadão de 33 anos nascido e criado em Brumadinho que vive com medo do futuro de nossos filhos e amigos após toda essa tristeza que vivemos em Brumadinho, terra feliz que desde o crime vive um luto constante sem ter fim.”

Weverton Juliano Rosa Queiroz, morador do povoado Melo Franco interior de Brumadinho.

Brumadinho, 14/08/2020. Operativo policial. Imagem enviada pelos vizinhos

Outro morador em seu relato traz ainda o pedido de ajuda por parte do Estado, para que o policiamento na cidade seja reforçado. O Governo do estado de Minas Gerais, já recebeu o montante de aproximadamente R$ 1 bilhão de valores retidos judicialmente investido pelo Estado de Minas Gerais para pagamento de contas do mês de maio de 2020, como folha de pagamento de servidores e parcelas do 13° salário.

“Hoje, Brumadinho não é mais a mesma de antes. Após o rompimento da barragem B1 da Vale, os holofotes apontados para a cidade trouxe de tudo, trabalhadores, moradores de rua, ladrões e drogas. Por acharem que o dinheiro está a rolar por aqui. Peço ajuda a Secretaria de Segurança do Estado para não sermos mais assolados por mais crimes!”

Maurílio, morador do Bairro Jota na cidade de Brumadinho.

As comunidades do município de Brumadinho (MG) vítimas do rompimento da barragem da empresa Ré Vale S.A., sentem a ausência do Direito ao Futuro, sem saber o que será do município diante o aumento populacional e os vários agravos à saúde. Aguardam o processo que corre em passos lentos na 2° Vara de Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, onde será decidido ações de reparação e compensação integral dos danos e assistem o estado de Minas Gerais através do governador Romeu Zema (Partido Novo) investir os recursos retidos judicialmente para reparação e recuperação das áreas atingidas em pagamento de contas.

Categorias: Ámérica do Sul, Ecologia e Meio Ambiente, Política
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