Banquetaço

19.07.2020 - Belo Horizonte, Brasil - Fernanda Perdigão

Banquetaço

Carlos Alberto Doria, Doutor em sociologia pela UNICAMP e pós-doutorado na mesma universidade com especialização na sociologia da alimentação conversou com a Pressenza sobre o Movimento Banquetaço, um movimento de ativismo alimentar.

 

– Quando e como surgiu o movimento Banquetaço?

– Banquetaço surgiu de uma indignação geral diante de um plano da prefeitura de São Paulo através do Prefeito João Dória (PSDB) que anunciou um programa de alimentação feito através de uma reciclagem de alimentos, “ração” chamada por ele de “granulado nutricional ultraprocessado” no final do ano de 2017, uma articulação pesada do governo municipal apoiado pela Syngenta e pelo Arcebispo metropolitano de São de Paulo tudo articulado com o projeto de destinação final dos resíduos sólidos.

E diante a indignação foi criado um banquete de forma voluntária, nutricionistas, militantes, cristão e o pessoal da área educacional, ecologistas e ambientalistas e comerciantes e em 16 de novembro frente ao Teatro Municipal de São Paulo, 2 mil refeições foram servidas para pessoas em situação de rua, pessoas desempregadas e com isso o prefeito recuou com o projeto, sendo assim o Banquetaço é uma movimentação espontânea vitoriosa.

– E como o movimento alcançou outros estados e municípios?

– Quando o presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido) desarticulou o CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e outros conselhos, houve uma mobilização em outros estados e assim diversos grupos realizaram movimentos para a retomada do CONSEA, sendo registrados Banquetaços em 16 estados.

– O Banquetaço então é um movimento social sem hierarquias?

– O Banquetaço, não tem uma organização, não tem direção, às vezes as pessoas se unem e fazem algo, agora, por exemplo, está tendo uma ação no Rio Grande do Norte, uma ação coordenada para apoio a comunidades carentes, tudo entre eles, recolhem dinheiro e alimento e de forma voluntária preparam refeições e distribuem em comunidades inclusive a beira mar, atendendo pescadores, e pessoas em situação de desemprego, este grupo, está na 4° ação, realizam feiras, coleta de dinheiro e após fazem a comida e distribui para as comunidades. Isso é o Movimento Banquetaço é em nome e em prol de necessitados e povos preteridos.

– Como estão as ações durante a pandemia do Covid 19?

– Devido na pandemia, há pessoas que se autodenominam Banquetaço, nos buscam para apoio nas páginas sociais que existem e divulgam ações que convergem com a ideologia do movimento de ativismo alimentar, é um novo movimento político que vem surgindo.

– Como você percebe as políticas públicas e o tema segurança alimentar?

– Inadequadas, elas são sobretudo omissas, a alimentação escolar, por exemplo, é o suprimento alimentar na atividade escolar, com o fechamento das escolas muitas crianças que vivem em situação de pobreza não recebem essa alimentação, com isso foram realizados alguns movimentos para estes recursos chegar até essas famílias mas, por parte do governo não há vontade e ou condições de substituir a alimentação escolar e endereçar a casa dos alunos mas, outros países sofreram com o mesmo, a pandemia desarticulou muita coisa, difícil de fazer mas se houvesse mais boa vontade seria possível minimizar.

– Como ficam as questões de segurança alimentar?

– Há uma tendência de realizar a discussão a qual o CONSEA permitia fazer, hoje de forma independente, pois o impacto político disso sobre os governos, é difusa, pois a estratégia do governo foi desmontar toda esta estrutura participativa. Desarticulando movimentos e políticas públicas no modelo consagrado na Constituição de 88, através dos conselhos consultivos e deliberativos com participação da sociedade civil, e retomar leva tempo para uma nova articulação e não podemos esquecer que fomos derrotados na eleição.

Foto Banquetaço

– Você acredita numa retomada participativa da sociedade civil?

– O caso do Rio Grande do Norte mostra que a retomada é possível, pois há um dinamismo político, que permite uma articulação entre membros, um grupo uniu-se e pronto, a ação aconteceu, de política nacional como o CONSEA, é muito difícil e muito custoso, vai demorar bastante não somente pela pandemia, mas também a criação das mediações políticas seja pelo governo seja pela pandemia.

– Qual a lição que este tempo de isolamento devido à pandemia do Covid 19 nos traz?

– A lição deste período é que nós temos que caminhar, apesar do estado, contra o estado, isso significa que as bases de solidariedade entre pessoas têm que ser buscadas do jeito que dá, existem sinais claros da efervescência do voluntariado muito grande, aqui, próximo ao Centro de São Paulo, tem um grupo de pessoas como líder um Professor de escola de Gastronomia que montou um grupo e forneceu 7 mil refeições e estão ligados apenas entre si, o que está por trás disso, só a vontade, essa vontade que estava adormecida, isso é um fenômeno político novo, que a gente não sabe até onde vai.

Temos que estar atentos a isso, o que surge nestas questões o que traz caminhos novos para a alimentação e para uma nova forma de mobilização social.

– Qual a visão do Movimento Banquetaço diante as liberações aceleradas de agrotóxicos?

– Agronegócios e agrotóxicos, a posição de todos os participantes tanto nacionais do CONSEA como estaduais, repudiam esta “festa da uva” com os agrotóxicos, é um retrocesso enorme e irá retornar onerando o próprio agronegócio é um momento ruim desta política de relativar o agronegócio e pagará os preços por isso. Articulamos com todos os grupos de comunicação para denunciar isso, em sites e blogs, voltados para isso há uma frente de opinião contra o uso abusivo de agrotóxicos. A questão de contaminação das águas o recurso mais importante e na berlinda diante a questão de privatização.

– Para você existe uma visão de novo caminho?

Alimentação livre de agrotóxicos, ações sociais voltadas para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade e articuladas com produtores e comerciantes de comida limpa, estas coisas todas convergem a uma coisa nova, do que já está, monopolizada e cheia de agrotóxicos, a partir de articulações e deve levar a um novo processo, é um momento de identificar novos atores do futuro.

Categorias: Ámérica do Sul, Ecologia e Meio Ambiente, Entrevista
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