EUA terão primeira transgênero a concorrer a governo estadual

17.08.2018 - Vermont, EUA - Opera Mundi

EUA terão primeira transgênero a concorrer a governo estadual
Hallquist: "Estou orgulhosa por servir de modelo para outros em comunidades marginalizadas". (Crédito da Imagem: Politiké.com)

Christine Hallquist obteve 48,3% dos votos dos democratas nas primárias do estado de Vermont; empresária iniciou transição de gênero em 2015, quando liderava uma companhia do setor elétrico.

Os democratas fizeram história nesta terça-feira (14/08) ao escolher, nas primárias do estado de Vermont, a empresária Christine Hallquist como a primeira candidata abertamente transgênero a concorrer ao cargo de governadora nos Estados Unidos.

Hallquist obteve 48,3% dos votos nas primárias, derrotando outros três democratas. Um deles foi Ethan Sonneborn, um adolescente de 14 anos cuja candidatura foi possível por conta de uma lacuna nas leis eleitorais de Vermont, que possibilita a candidatura de menores de idade. Sonneborn conseguiu 8,2% dos votos.

Apesar de Vermont ser considerado um estado progressista, uma vitória de Hallquist na eleição de 6 de novembro não é garantida. Ela terá que enfrentar o atual governador republicano Phil Scott, que tem boas chances de reeleição. Scott ganhou as primárias republicanas com 67,5% dos votos e permanece popular no Estado.

Hallquist, contudo, mostra-se confiante. “Amo Vermont, porque olhamos além de questões superficiais”, disse. “Eu sou uma líder que por acaso também é transgênero. As pessoas de Vermont sabem disso. Elas votaram para me apoiar por conta do que farei por Vermont.”

Entre as medidas propostas, a candidata quer promover o acesso à internet banda larga no estado, além de ser uma defensora de políticas para o setor de energia mais em linha com a preservação do meio ambiente.

Hallquist, de 62 anos, foi presidente-executiva da empresa do setor elétrico Vermont Electricity Cooperative por 12 anos e iniciou sua transição de gênero em 2015, quando liderava a empresa.

“Estou orgulhosa por servir de modelo para outros em comunidades marginalizadas para que eles possam se erguer ser reconhecidos”, disse.

A empresária manteve seu nome masculino, David, como nome do meio depois da transição e fala confortavelmente sobre sua identidade anterior. Seu filho, Derek, documentou o processo no filme Denial (Negação, em tradução livre). O objetivo inicial do documentário era registrar como a Vermont Electricity Cooperative estava lidando com as mudanças climáticas, mas se tornou uma história pessoal quando Hallquist saiu do armário como transgênero para Derek durante as filmagens.

Os direitos de pessoas transgênero foram expandidos durante a administração do ex-presidente Barack Obama, mas foram revertidos por seu sucessor republicano, Donald Trump, numa vitória para conservadores religiosos que só reconhecem papéis de gênero tradicionais.

Ainda assim, candidatos transgênero esperam dar continuidade a um movimento histórico nos EUA que teve início no ano passado. Em 2017, ao menos dez pessoas transgênero obtiveram cargos políticos no país em diversos níveis, de legisladores estatais até no conselho de planejamento urbano de cidades – um número recorde.

Até o momento em 2018, quatro candidatos transgêneros venceram primárias antes da eleição de Vermont, todos para cargos parlamentares no âmbito estatal. Outros 17 perderam eleições primárias ou gerais, e 21 enfrentaram votações à frente, segundo o pesquisador Logan Casey, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard.

Categorias: América do Norte, Diversidade, Política
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