“Sem Saldo”

13.07.2018 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

“Sem Saldo”
Captura da tela do minidoc “Sem Saldo”. (Crédito da Imagem: Vaidapé)

Por Vaidapé

O documentário “Sem Saldo” é um filme construído por estudantes secundaristas sobre suas próprias experiências na luta contra os cortes no Passe Livre Estudantil em 2017 na cidade de São Paulo.

Sem Saldo é mais do que um documentário feito por estudantes secundaristas de escolas públicas de São Paulo. Sem Saldo foi uma construção coletiva resultante de um processo pedagógico de oito meses, chamado PerCurso Mídia e Território, ministrado pelo coletivo Vaidapé com 12 estudantes moradores da periferia de São Paulo.

O Percurso Mídia e Território funcionou como um laboratório de aprendizado em audiovisual, fotografia, tecnologia e produção de texto. Para além de aprimorar práticas e técnicas com câmeras, programas de edição e elaboração de entrevistas, o objetivo era o debate sobre o papel histórico da imprensa no Brasil e, principalmente, as alternativas de resistência ao atual modelo de comunicação no país.

As atividades aconteceram entre fevereiro e agosto de 2017. Durante os encontros, foram realizadas entrevistas coletivas com artistas, comunicadores, lideranças comunitárias e movimentos sociais; rodas de conversa sobre comunicação independente, economia criativa e tecnologia; saídas de campo para coberturas externas; além de oficinas práticas para a produção de vídeo-reportagens e impressão de revistas.

Sem Saldo, portanto, traz um grande reflexo da aprendizagem dos estudantes durante o período. Mais do que uma série de reportagens relevantes, o filme é resultado de um processo educativo que coloca a comunicação como papel central no processo de aprendizagem.

Nem por isso a pauta é menos importante, pelo contrário: alterações do então prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), no Passe Livre Estudantil, de acordo com os estudantes “inviabilizou a passagem daqueles que moram longe dos centros e qualquer acesso à cidade, limitando a formação do estudante apenas às salas de aula e garantindo cada vez mais a exclusão da juventude dos espaços públicos”.

A regra anterior permitia que o estudante da rede pública de ensino fundamental, médio e técnico, de comprovada baixa renda, além de beneficiários do Fies e do Prouni, realizassem até oito viagens diárias gratuitas no transporte público.

De acordo com a nova regra, os embarques ficaram restritos a dois períodos de duas horas. A alteração foi assinada pelo secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Aveleda.

O acúmulo dos estudantes de escola pública, muitos dos quais tinham participado do movimento secundarista que ocupou centenas de escolas no Estado de São Paulo, contribui para uma vivência radicalizada na dinâmica da redação-laboratório que construiu o filme. A horizontalidade e decisões coletivas foram exigências mais do que legítimas dos alunos para o engajamento na construção da pauta.

Categorias: Cultura e Mídia, Jovens, Política, Video
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