Um Manuel entre tantos Nerudas

25.09.2016 - Santiago, Chile - Calle2

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Um Manuel entre tantos Nerudas

Em entrevista exclusiva, neto do poeta chileno revela os bastidores emocionantes de um filme sobre a fuga de Neruda pelos Andes.

Por Jr. Bellé*/Calle2

O fato de o diretor Manuel Basolato ser sobrinho-neto do Pablo Neruda não foi motivação alguma para que ele se embrenhasse na confecção do longa-metragem “Neruda – Fugitivo”. A ligação entre Manuel e Pablo é mais poética que genética, mais ideológica que familiar. Além de sensível, o filme é um dos mais aventureiros já produzidos. Ele retrata a fuga que o poeta empreendeu, em 1949, em meio aos desfiladeiros dos Andes, cruzando a rota dos contrabandistas a fim de escapar da perseguição política do aprendiz de ditador Gabriel González Videla, cuja história tratou de nomeá-lo como “O Traidor”.

Manuel fez questão de filmar o longa exatamente nos mesmos lugares e na mesma época do ano em que o poeta passou. Os riscos eram iminentes e Manuel jura que jamais fará algo parecido, ainda que as dificuldades e o aprendizado tenham ido além do cinema: “Quando conheci Juan Flores, já com 85 anos, o principal arrieiro que acompanhou Neruda, ele não se atrevia a falar. Ele sempre viveu nas montanhas e pensava, mesmo 50 anos depois, que poderia ser preso pela polícia por ter feito algo ilegal, afinal havia ajudado um poeta fugitivo”, conta Manuel.

A desesperada debandada deu origem a dois maravilhosos livros de Neruda: a autobiografia “Confieso que he vivido”, escrita após a fuga; e “Canto General”, uma poesia imprescindível para todos que vivem no extremo sul da terra da liberdade, escrita durante a fuga, e portanto sua mais sincera confissão de amor à poesia e aos de abajo, ao povo, aos explorados. A Calle2 conversou com Manuel Basoalto sobre este corajoso projeto.

Uma dúvida pessoal: qual seu interesse na poesia de Neruda?

Já tinha feito alguns documentários sobre Neruda. Assim que terminou a ditadura no Chile comecei uma trilogia sobre as casas de Neruda, alguns dos quais tinham sido invadidas e destruídas como as de Santiago e Valparaíso: La Chascona e La Sebastiana. Nesse período eu estava focado em fazer documentário e não queria que a memória do que aconteceu no Chile fosse perdida, especialmente a de um personagem como Neruda, que representou muitas pessoas em nosso país, particularmente aqueles sonhos de construção de uma sociedade melhor. Fora isso, eu sempre li poesia, muitos autores como Vicente Huidobro, Nicanor Parra, Gonzalo Rojas e Pablo Neruda, entre outros. Meu interesse particular em Neruda, além de sua obra poética, é sua vida, o seu compromisso com a mudança social e os mais fracos.

Leia entrevista completa na Calle2


* Jornalista e poeta. Autor do livro reportagem “Balaclavas & Os profetas do caos” (Livro Novo) e dos livros de poesia “O sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas” (Edição do autor) e “Trato de Levante” (Patuá). Pode ser encontrado em www.juniorbelle.com

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Entrevista
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