Meus heróis Americanos

14.06.2014 - David Andersson

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Meus heróis Americanos

Eu estava no trem, a caminho de Sunnyside, no Queens, quando, apenas um minuto antes da minha parada, vi tendas e filas de pessoas nas calçadas. Estava com a minha câmera comigo e o tempo estava tão bonito… era como um convite a caminhar pelas ruas. Minha jornada era muito curta, somente algumas quadras desde a estação. Eu comecei a perguntar às pessoas que estavam fazendo fila se eu poderia tirar algumas fotos. Eles ficaram agradecidos por eu ter perguntado, e fizeram uma pausa para serem lembrados. Na minha mente, eu tinha uma questão: porque e como estas pessoas estão acampando na rua? Não era uma fila para um show do Justin Bieber e nós não temos estrutura no bairro para um grande festival de verão ou qualquer outro evento de entretenimento deste tipo.

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Descobri que eles eram pessoas muito comuns e com os pés no chão, procurando um trabalho. Eles estavam respondendo a um chamado do comissário para o trabalho do estado de Nova York, Peter M. Rivera, para um recrutamento conduzido pele Comitê Misto de Aprendizagem e Treinamento do Sindicato Local de Encanadores #1 no dia 9 de junho, começando às 8h da manhã, para aprendizes de encanadores. As inscrições estarão disponíveis por 10 dias úteis, ou até que mil inscrições sejam enviadas – o que ocorrer primeiro.

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Aqui está a cara de milhões de americanos que estão fazendo tudo que podem para alimentar suas famílias e mantê-las sob um teto. Não é fácil ver a dimensão do número de pessoas marginalizadas, deixadas de lado na cidade de Nova York, mas aqui elas estavam no meu bairro! Meus heróis não são bombeiros, policiais ou militares, mas pessoas muito legais, fazendo fila ao longo de quatro quadras. Alguns tinham vindo em uma sexta-feira e planejavam ficar ali por três dias e noite, até a segunda-feira de manhã, às 8h.

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Agora eu entendo porque as pessoas jogam na loteria, é mais fácil e você pode ter as mesmas chances de ganhar. Mas acampar em uma calçada, em umas das maiores e mais ricas cidades do mundo, durante três dias, para se inscrever em um treinamento para aprendizes aberto a somente 100 pessoas uma vez a cada dois anos – isso é loucura, e definitivamente há algo errado com essa foto.

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Eles são meus heróis porque eu não sei como eles encontraram paciência para esperar por este momento, como eles mantiveram suas esperanças vivas, como eles convivem com a incerteza. Isso é como viver em uma terra de ninguém e não saber qual país o receberá, o país do trabalho duro com baixos salários ou o país do desemprego que dura uma vida. De acordo com o datatools.urban.org: Quatro anos depois da Grande Recessão, o desemprego a longo prazo continua batendo níveis recordes. Em junho de 2013, 4,2 milhões de pessoas – assombrosos 36,7% dos desempregados – estiveram sem trabalho por mais de seis meses.

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Na terra das pessoas livres, as pessoas deveriam ter a liberdade de escolher o seu trabalho. Se o trabalho não pode ser garantido a todos como um meio de contribuição social e recurso econômico, a sociedade tem a obrigação moral de criar mecanismos para a distribuição econômica. Todos deveriam ter acesso a uma renda mínima.

Aos meus amigos da rua, meus heróis, muito obrigado pela sua dedicação. Eu desejo a melhor sorte para vocês. Vocês têm a minha admiração.

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photos David Andersson

Categorias: América do Norte, Direitos Humanos, Foto reportagem, Opinião
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