O novo o momento e a guerra dos mercados

19.09.2011 - Madrid - Rafael de la Rubia

A onda não pára por aí; ao contrário, aumenta cada vez mais. As pessoas estão despertando e canalizando seus protestos com ações criativas e novas formas de luta que ganham forças renovadas. Pode ser que isso não pare até que alcance e desperte a consciência de todo o planeta.

Essas mobilizações marcam um período anterior e outro posterior. Em geral, elas começam a partir da “indignação” contra a injustiça, corrupção, falta de democracia e perda de avanços sociais e tomam novos rumos, sendo realizadas de forma pacífica, com base na metodologia de não violência. Essa corrente de tamanha proporção está surgindo pela primeira vez, movendo-se de forma espontânea, sem líderes, sem doutrinação, com horizontalidade e de uma forma totalmente nova. Tudo isso marca um ponto de inflexão das violentas revoluções de outrora. O modelo de “guerrilha” passou para a história. Hoje, fala-se a respeito de “Revolução não violenta”.

Esta forma de ação perturba os poderes que estão preparados para lutar contra a violência. O sistema violento necessita de violência para se perpetuar. Além disso, esses movimentos que atuam de forma pacífica recebem amplo apoio popular, com o qual a força cresce sem parar. O testemunho de um ativista torna isso evidente, “Eles não podem nos parar. Não importa o que as autoridades policiais façam. Se vierem e nos expulsarem, não nos oporemos com violência. Iremos nos dispersar, mas amanhã retornaremos para protestar uma vez mais em maior número. Cada dia comparecem mais pessoas. Repetidamente.”

O novo movimento também deixou claro que os chamados “mercados” determinam a política do governo e não o inverso. Podemos falar explicitamente de uma ditadura que subjuga até mesmo os países mais “desenvolvidos” e marca a agenda de trabalho. Isso provoca um efeito devastador com cortes e privatizações inimagináveis. Tudo para continuar a alimentar os especuladores da ditadura do dinheiro.

**Os mercados declararam a guerra**

Neste momento, os “mercados” declararam guerra ao povos, forçando-os a romper acordos, a eliminar as conquistas sociais no campo da educação e saúde, reduzir conquistas obtidas nas aposentadorias, estabilidade de emprego, etc, etc. Não há limite para sua ganância que leva a um caminho sem saída, em direção a um abismo que eles mesmos criaram.

Os cidadãos e o povo foram enganados. Foram levados a acreditar que existe uma grande crise, com a qual pretendem justificar tudo. Mas não se explica como a crise foi gerada, quem se endividou de forma irresponsável, quem adotou políticas erradas, quem propôs saídas fictícias até que não fosse mais possível sustentar essa bolha financeira que eles mesmos criaram. Essa não é uma crise para todos. Aqui há erro, manipulação e distorção, porque aqueles que criaram esta crise, os bancos, são os que continuam a se beneficiarem e acabam sendo beneficiados por ela.

Há claros indícios de perversão na ação política. Implantou-se na consciência social de que os lucros são ganhos através de empresas privadas e que se ocorrerem perdas, elas serão cobertas com dinheiro público. Se existe uma empresa pública que está indo bem, ela é privatizada. Se existe uma empresa privada importante que está indo mal, ela é resgatada com fundos públicos. A corrupção abunda em todos os países como uma epidemia contra a qual as pessoas têm que lutar em todos os lugares.

**As pessoas estão começando a perceber**

As recentes transformações ocorridas nos países, em um curto espaço de tempo, mostram uma vez mais a verdadeira força do povo e sua enorme capacidade de transformação, se ela for conduzida de forma não violenta e utilizando o caminho da paz. Se, por outro lado, imperar a violência, tudo acaba em guerra onde, além da perda de vidas humanas e do impacto sobre a sociedade, os problemas se multiplicam exponencialmente sem a possibilidade de chegar a resolvê-los, muito pelo contrário, agravam-nas ainda mais, como nos recentes casos do Iraque e Afeganistão e mais recentemente na Líbia

Acreditamos que essas forças novas que estão despertando encontrarão na não violência uma verdadeira ferramenta revolucionária que lhes abrirá o futuro, se ela for direcionada para a criação de sociedades verdadeiramente democráticas, melhorando as condições de vida e promovendo avanços na sociedade de forma que cada ser humano possa levar uma vida digna.

**Uma geração que desperta**

Em todas estas manifestações, mesmo que contem com amplo e total apoio popular em todos os setores da sociedade, destacamos que os jovens são os principais protagonistas. Ou talvez possamos seguir além e afirmar que pela primeira vez na história, estamos nos defrontando com o fato de que a geração está sintonizada, conectada e tomando consciência de seu poder, despertando e projetando revolucionariamente em nível mundial. Ou talvez estejamos testemunhando o despertar de uma geração com consciência global? A primeira geração não violenta na história da humanidade, consciente de si mesma?

**A não violência abre o futuro**

Aqui, onde a metodologia de não violência se desenvolve e se aprofunda, adaptando-se ao país ou sociedade, conforme seu momento histórico, combinando o trabalho virtual das redes sociais e da internet com a experiência da ação nos bairros, a ação local e o contato existencial entre as pessoas, recuperando o contato em nível humano e onde o “eu” combine com o “nós”, os movimentos avançarão onde esses componentes forem encontrados.

Nesse processo a ação continuará a se abrir para outros países e culturas, conectando-se com a planetarização, com a revolução mundial. E chegará a ser incontida como a força da natureza. Qual será a rapidez desse processo? É difícil de se prever. Mas com certeza ele seguirá esse caminho.

Nesse contexto de Mundo sem Guerras e sem Violência acredita-se ser conveniente dizer:

1. A guerra dos “mercados” contra o povo e contra o cidadão é um cenário novo que deve ser identificado, definido e combatido, uma vez que não havia sido identificada anteriormente no panorama sócio-político. Hoje o grande problema em nível global é a voracidade dos mercados especulativos. Este é o ponto de partida da fome, epidemias, pobreza geral, deterioração da saúde e educação, discriminação, ditadura, corrupção, fragmentação social e exclusão e, naturalmente, conflitos, guerras, incremento armamentista, etc., etc.. Este é o caminho da desumanização geral em nível internacional.
2. Vemos um sopro de ar fresco nesses novos movimentos. Neles germinam as sementes de um novo mundo, à qual aspiramos. Expressamos nosso apoio a quaisquer caminhos de não violência. Isso não é apenas uma declaração, já que em todos os países em que o WWW estiver presente nossos ativistas participam do desenvolvimento desses movimentos ou os ajudam a formá-los. Essas revoluções não violentas, abrem o futuro para toda a humanidade. Nós nos aproximamos da Nação Humana Universal.
3. Empurrar com todos a nossa força de forma que o caminho da não violência não seja abandonada por esses movimentos. Nós não devemos ser ingênuos porque todo o sistema se voltará contra eles. O sistema tentará manipular, infiltrar, deformar, corromper, desviar, influenciar, desacreditar, perseguir e até mesmo se livrar dos seguidores do movimento. Seus métodos violentos são amplos. Por este motivo temos que ser treinados e avançar na luta da não violência organizada.
4. A curto prazo existe um roteiro que está sendo desenvolvido pela primeira vez em nível internacional. No próximo dia 15 de outubro haverá uma convocação internacional de ação conjunta convidando movimentos de todos os países.

Categorias: Europa, Internacional, Opinião, Política

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