Entra em cartaz hoje (02 de abril) nos cinemas o filme Cheiro de Diesel, de Gizele Martins e Natasha Neri. Em 2025 o documentário recebeu Prêmio Especial do Júri e do prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular no Festival do Rio
O filme reacende o debate sobre o papel das Forças Armadas no Brasil e sobre a herança do golpe militar de 1964. Por meio de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLOs), instrumento criado durante os “anos de chumbo”, se deu a ocupação e militarização das favelas do Rio. O pano de fundo de toda esta história, é o impacto social dos grandes empreendimentos imobiliários na cidade do Rio de Janeiro, aliás, os chamados “Grandes Jogos” – a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

CHEIRO DE DIESEL | Trailer Oficial – 02 de abril nos cinemas
O documentário é direto ao ponto. A narrativa se constitui a partir de vozes de dentro da comunidade da Maré. Trabalhadoras, moradores e comunicadores lutando em prol de justiça e reparação de vítimas de violações de direitos humanos durante os anos de ocupação, a dizer, os períodos de 2014 e 2015, e novamente entre 2017 e 2018. Pessoas baleadas e torturadas injustamente, além de revistas arbitrárias, assédios diversos e a presença de tanques vazando óleo diesel pelas ruas da comunidade, o que dá título ao filme.
No ano passado aquele público carioca mais moderninho e interessado em cinema se emocionou o assistindo durante o Festival do Rio, mas agora ampla audiência em todo território nacional pode assistir. E este parece ser exatamente o desejo das diretoras, Natasha Neri & Gizele Martins, o de mostrar à um grande público a realidade das favelas, cotidianamente filtrada pela cobertura da mídia hegemônica.
Inclusive este sempre foi o interesse de Gizele Martins, mestre em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas (UERJ-Febf) e formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Por anos foi repórter e jornalista responsável do jornal O Cidadão, meio comunitário que circula há décadas no Conjunto de Favelas da Maré, Rio de Janeiro. O documentário deriva do seu livro, intitulado “Militarização e Censura, a luta por liberdade de expressão na favela da Maré (Ed. Gramsci, 134 pp. São Paulo, 2019). E foi transformado em peça de teatro, pelo grupo Coletivona. Em 2021, fizemos uma resenha bem reflexiva aqui na Pressenza. Disponível no link: https://www.pressenza.com/pt-pt/2021/01/dica-de-leitura-militarizacao-e-censura-a-luta-por-liberdade-de-expressao-na-favela-da-mare/
Ficam as dicas: a do filme (corram para ver!) e a de livro. E que o filme logo chegue ao público do mundo todo, afinal, nada mais pertinente do que a discussão sobre o direito à vida e a luta por liberdade dos povos em tempos de necropolítica global, em que caem as máscaras das ditas “democracias ocidentais”. A reflexão que fica é que se a democracia não for para todos, ela nunca será de fato, democracia.

Militarização e censura, a luta por liberdade de expressão na favela da Maré. Ed.Gramsci, 2019.
Cheiro de Diesel/ Trailer oficial https://www.youtube.com/watch?v=r8pi_-gqFFg
Documentário/Documentary
Cor/Color 81′
Brasil – 2025
Direção/Direction:
NATASHA NERI
GIZELE MARTINS
Roteiro/Screenplay:
NATASHA NERI
GIZELE MARTINS
JULIANA FARIAS
Empresa Produtora/Production Company:
AMANA CINE
BARACOA FILMES
Produção/Production:
MARIANA GENESCÁ
GABRIEL MEDEIROS
Empresa Coprodutora/Coproduction Company:
CANAL BRASIL
Fotografia/Photography:
LEONARDO NABUCO
Montagem/Editing:
GABRIEL MEDEIROS
Edição de Som/Sound Editing:
BRUNO ARMELIN
Música/Music:
ALBERTO CONTINENTINO
Elenco/Cast:
GIZELE MARTINS
VITOR SANTIAGO
EDRILENE NEVES
JEFFERSON MARCONI
Contato/Print Source:
DESCOLONIZA FILMES






