ARTE

Por Marrom Glacê

 

Transformando os hospitais da rede pública de saúde através da arte, o projeto retorna ao formato presencial após o auge da pandemia de Covid-19 contando com a chegada de novos integrantes.

 

Completando uma década de trabalho realizado em hospitais da rede pública do Rio de Janeiro, o projeto Conexão do Bem – 2022 tem motivos de sobra para comemorar. Retornando ao formato presencial com seus já famosos cortejos artísticos, que através da arte regeneram a saúde e inspiram as pessoas a viver, a trupe formada pelos atores Felipe Haiut, Laura Araújo, Mag Pastori, Nina da Costa Reis e Pedro Nêgo está ainda mais animada com a chegada de dois novos artistas – Camila Moura e Hugo Germano.

Com o reforço, o grupo segue sua bem-sucedida trajetória de colaboração na melhoria de um estado geral dos pacientes dos hospitais atendidos e da qualidade da saúde pública. Neste retorno, recebem as intervenções artísticas o Hemorio, Hospital Federal do Andaraí, Hospital Federal da Lagoa e Hospital Universitário Pedro Ernesto. Todas as ações estão sendo viabilizadas através do patrocínio via Lei do ISS das empresas Amil, Rio Sul, Infis, Media Systems, MacDermott, Decatron, Precisão-i e Tecto Engenharia.

Enquanto profissionais de saúde e pacientes batalham pela vida, os integrantes da Conexão do Bem levam aos hospitais música e teatro como forma de apoio e afeto, possibilitando que a arte transforme os ambulatórios e pediatrias e cheguem a milhares de pessoas, levando inspiração e força para o enfrentamento das adversidades. “A comemoração pelos 10 anos está sendo marcada pelo retorno presencial e pela expansão do projeto no lado artístico, que já era um sonho nosso. A longo prazo, queremos capacitar cada vez mais artistas nas ações para, assim, ampliar o atendimento a esses hospitais de forma responsável”, planeja Felipe Haiut.

O preparo do grupo, porém, vai muito além do que se vê pelos corredores e enfermarias. “Neste processo de retorno, buscamos entender o que a pandemia de Covid-19 causou emocional e fisicamente nas pessoas que trabalham nestes espaços. Precisamos compreender a situação do material humano, o provável cansaço de muitos desses profissionais e como podemos somar levando em conta este novo momento”, considera Laura Araújo que, assim como os demais integrantes, não parou o trabalho em 2020 e 2021, período que abrange o auge da pandemia.

Nesta fase, a Conexão garantiu a continuidade das ações artísticas e a poesia no dia a dia de pacientes e profissionais de saúde através de ações virtuais nos hospitais parceiros e ampliou a intervenção artística para novos hospitais públicos do Rio de Janeiro. No período, foram produzidos pelo projeto mais de 60 vídeos, recebendo 26 convidados especiais, homenageando 24 profissionais da saúde, realizando 24 sessões de cinema nos hospitais e gerando através deste conteúdo mais de 100 mil visualizações nas redes sociais do projeto.

No mesmo período, a Conexão do Bem também desenvolveu o “Encontros do Bem”, um bate-papo divertido entre os integrantes, um artista conhecido do público e um especialista do tema debatido, promovendo reflexões sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida dentro e fora do ambiente hospitalar. Desta ação já participaram artistas como Jonathan Azevedo, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Aline Borges e Elisa Lucinda, entre outros.

“Tivemos que aprender a realizar essas intervenções através de vídeo, gerando conteúdo dentro do que era o possível naquele momento. A pandemia nos trouxe isolamento, o que gerou muito distanciamento afetivo, e todos vimos o quanto a arte neste período se tornou uma espécie de salvação – as pessoas consumiam séries, filmes, músicas, livros… Então, retornar com a arte no âmbito da saúde nos ajuda a reforçar a compreensão de que ela auxilia no processo de cura. Num momento em que tudo está caminhando para o metaverso, vemos o quanto a arte presencial faz diferença e auxilia na cura das pessoas”, analisa Nina da Costa Reis.

Nas enfermarias, a Conexão já levou aos cortejos Dandara Mariana, Carol Garcia, Fabiula Nascimento, Romulo Estrela, Emilio Dantas, David Junior e Pedroca Monteiro, entre outros artistas convidados. Novos integrantes da trupe, Camila Moura e Hugo Germano estão empolgados com a empreitada artística. “Pensar no propósito da existência deste projeto tem me trazido (c) alma para viver o momento presente, tem me despertado uma atenção maior para os detalhes”, observa Camila. “Para mim, a função da arte é sempre surpreender e proporcionar alegria em momentos que poucos esperariam. Uma coisa é certa: saio mais vivo de cada cortejo”, complementa Hugo.

Se a realidade nos hospitais já era dura e maçante, após este momento de linha de frente de combate à Covid-19 são ainda mais necessárias as ações do Conexão do Bem. “Desejamos mais do que nunca entrar e fazer com que a expressão aconteça, porque é através dela que a ajuda para a cura acontece internamente. Além disso, existe um aspecto de cidadania muito importante, porque 70% da população nacional faz uso do SUS e, destas pessoas, muitas nunca tiveram um contato presencial artístico com a música ou o teatro, por exemplo. E isso acaba acontecendo neste momento de tratamento médico”, finaliza Nina.

 

Conexão do Bem 2022 – Foto de Renato Mangolin