Cuba, Equador, Chile e Noruega são opções de países mediadores da negociação entre gestão de Petro e guerrilha

Michele de Mello/Brasil de Fato

Na primeira coletiva de imprensa a meios locais após ser empossado presidente, Gustavo Petro confirmou a retomada oficial das negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), maior guerrilha ativa no país. “Queremos revitalizar os protocolos e nas próximas semanas se anunciará se manteremos os diálogos em Cuba. Não depende apenas de nós, mas de quem quer negociar”, disse o chefe de Estado, nesta segunda-feira (8).

Os diálogos de paz entre o Executivo colombiano e o ELN haviam iniciado em Havana, com participação de outros países como garantidores da paz, entre eles o Chile, a Venezuela, Noruega e o próprio Brasil. As negociações foram interrompidas em 2018 pelo ex-presidente Iván Duque, que encerrou quatro anos de gestão com um dos mandatos mais violentos da história do país.

Agora, além de Cuba, o governo chileno também se ofereceu para sediar os diálogos. “Manifestamos toda nossa disposição a seguir colaborando nos termos que o governo colombiano estimar como mais úteis para a sua causa”, declarou o recém-eleito Gabriel Boric em visita a Bogotá para a posse presidencial. As outras opções seriam o Equador, o México e a Noruega.

As primeiras conversas entre representantes do ELN e o então governo de Juan Manuel Santos, em 2017, aconteceram em Quito e depois em Havana.

Durante as eleições, a maior guerrilha ativa na Colômbia, com presença em 200 municípios, anunciou um cessar-fogo unilateral como demonstração do seu interesse no diálogo. Após a vitória do Pacto Histórico, no início de julho, o comandante do ELN, Eliécer Herlinto Chamorro, conhecido como “Antonio García”, publicou um comunicado reiterando a disposição em retomar as negociações com o novo governo “para que seus resultados tragam paz com justiça social para toda a Colômbia”.

O ELN, criado em 1964, sob inspiração da Revolução Cubana e da Teologia da Libertação, é o último grupo insurgente com ação nacional na Colômbia, após os Acordos de Paz de 2016. Tem presença em duzentos municípios, com cerca de 2,3 mil guerrilheiros, com maior concentração nos departamentos de Arauca, Cauca, Chocó, Nariño, Catatumbo e Antioquia, segundo a Fundação Paz e Reconciliação (Pares).

Em entrevista realizada em agosto deste ano, quatro anos após a ruptura dos diálogos, o comandante Antonio García disse que o ELN nunca impôs condições, “entendemos que todas as questões podem ser discutidas ou examinadas em uma mesa, se a paz for realmente desejada”.

Ao assumir a presidência, no último domingo (7), Gustavo Petro voltou a reiterar que seu compromisso é com a “paz total” na Colômbia.

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