MÚSICA

Por Renan Simões

 

A arrasadora Intro, com participação do lendário KL Jay, seguida da confiante Abre caminhos, nos aponta que algo realmente especial está por acontecer; estamos diante de um novo clássico do rap nacional, que flui quase que sem esforço e com muita musicalidade ao longo de suas 10 faixas. Impregnado por intensa religiosidade afro, mordaz crítica social, excentricidades sexuais e doloroso autoconhecimento, Esú (2017), de Baco Exu do Blues, é um verdadeiro documento de nossa era.

O momento mais intenso se dá entre a terceira e quinta faixas: em Oração à vitória, com letra e música fenomenais e cruas; no desabafo fulminante de En tu mira; e na altamente agradável faixa título. Oração à vitória, por questão de direitos autorais, foi excluída das versões posteriores. Talvez Capitão de areia seja a única faixa passável, embora com uma letra altamente relevante.

As quatro faixas finais têm levadas mais introspectivas, mas mantêm a carga poética e de criatividade musical. A robusta Senhor do Bonfim é seguida por A pele que habito, com um belíssimo sample de Arthur Verocai. Após isso, somos apresentados ao romantismo sem escrúpulos de Te amo disgraça, que possui um sample mais que adequado à temática, e a belíssima finalização de Imortais e fatais.

Baco Exu do Blues, Esú, um perfeito retrato musical e poético de nosso momento! Ouça, desfrute, reflita, repasse: