Mari Santos, Joana Mendes e Flávia Borges são, respectivamente, as autoras e ilustradora do livro “Manual de penteados para crianças negras”, lançado pela Cia das Letrinhas. No último sábado da 26º Bienal do Livro de São Paulo, uma fila se fez no estande da livraria para as assinaturas do livro. Uma garota se aproxima com a avó e diz que vai aprender novos penteados. Mari pergunta o que ela já sabe fazer, e ela responde: – “trança normal”. Mari a provoca então a fazer a trança e publicar, marcando-as para que vejam a sua trança normal e outros penteados que ela encontrar no livro e testar.

Essas referências nem sempre existiram. Muitas mulheres e homens negros hoje adultos não tiveram tantas inspirações. Flávia, que alisou o cabelo muitos anos e não teve referências assim se realiza ao ver o livro materializado, já que isso é uma nova oportunidade para crianças e para os adultos também de se verem e verem beleza. “Ilustrar um livro que ensina diversos penteados para crianças e elas terem essa referência que eu não tive é algo muito importante. Realiza um sonho”.

Mari comenta que o livro é uma ferramenta também, porque o sonho, o desejo é algo que vem antes do que se concretiza. Você precisa imaginar o que você quer para botar energia e isso acontecer. “O sonho é uma ferramenta de construção de realidade. E isso te impulsiona a criar um mundo melhor.”, diz Mari. A possibilidade de levar beleza, estímulo e inspiração começa se concretizar quando se coloca um livro na prateleira.

E pensar nesse sonho, de levar referências e de construir uma realidade, ocupar um espaço numa Bienal, mostra um avanço importante quando a gente pensa em escritoras negras e leitores negros. “A força que a cultura tem na nossa vida, e a Bienal cheia nos mostra como é importante ter a arte na nossa vida como respiro.”

O livro é mais do que só um manual, ele exalta as belezas de todas as pessoas negras e também conta origem e curiosidades sobre os cuidados com cabelo ao longo dos anos, como informações sobre o movimento Black Power, o que é afrofuturismo, quem foi o grupo dos Panteras Negras (cujo nome inspirou o super-herói), entre tantas outras.

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