No estado norte-americano de Maryland, funcionários de uma loja da Apple votaram pela criação de um sindicato. Na loja da cidade de Towson, 65 de 110 funcionários votaram a favor da organização. Há anos a Apple vem impedindo a iniciativa dos funcionários. Agora, o primeiro sindicato da empresa está estabelecido, apesar das tentativas de intimidação. O sindicato espera que esta iniciativa inspire novas iniciativas como esta. Algo parecido aconteceu no ano passado, após a criação do primeiro sindicato da Starbucks.

Por Ingo Geiger

Até agora, a empresa conseguiu intimidar os funcionários a ponto de fazer com que desistissem rapidamente das tentativas de formarem um sindicato. Este foi o caso em Atlanta, no mês de maio. Por conta da intimidação, os trabalhadores pararam de insistir.

No entanto, isso mudou no mês de junho. Na cidade de Towson, no estado norte-americano de Maryland, os funcionários de uma loja da Apple falaram mais alto: 65 de 110 funcionários votaram pela criação do sindicato. São os primeiros varejistas do grupo a se sindicalizarem nos Estados Unidos.

Dessa forma, os funcionários da loja da Apple de Towson farão parte do Sindicato da Indústria de Máquinas e Equipamentos (IAM). Junto do IAM, eles pedem mais cogestão da carga horária, salários apropriados e segurança no trabalho, a serem definidos com a corporação.

Tweet:
Vocês conseguiram, @acoreunion! Bem-vindos ao @MachinistsUnion!
Agora, pedimos à @Apple que respeite o voto de vocês e acelerem o primeiro contrato. Nossa iniciativa para trazer justiça a todos os funcionários da Apple está só começando.

Uma Carta aberta ao chefe da Apple, Tim Cook: Unir-se ao sindicato não é se opor à administração

Em carta aberta ao CEO da Apple, Tim Cook, os responsáveis escrevem que unir-se ao sindicato não é se opor à administração, é apenas pedir pelos direitos que são garantidos por lei. Também há grande apoio entre os colegas, disse ele.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse aos repórteres que estava orgulhoso da iniciativa. “Os funcionários têm o direito de decidir sob quais condições querem ou não trabalhar”, completou Biden.

Uma resposta da Apple (ainda) está pendente

Até agora, não houve declaração oficial da empresa. A Apple não comentou sobre a votação quando questionada pela agência de notícias AP. Contudo, não é difícil deduzir o que a Apple pensa a respeito da formação do sindicato: Em maio, a chefe de RH, Deirdre O’Brien, visitou as lojas em Towson, próximas a Baltimore. Lá, O’Brien disse que a criação de um sindicato “complicaria” a relação da empresa com seus funcionários.

Vitória simbólica após um longo declínio: Funcionários da Amazon e da Starbucks consolidam sindicatos

Nas últimas décadas, a força dos sindicatos dos Estados Unidos vêm decaindo. No entanto, recentemente, sinais de mudança têm surgido: um surto de formações sindicais na rede de café Starbucks. Em dezembro do ano passado, funcionários de uma das lojas do grupo criaram o primeiro sindicato da empresa. Depois, 150 de 9000 unidades se organizaram e seguiram o mesmo exemplo.

Os funcionários da Amazon também criaram seu primeiro sindicato recentemente. Porém, não teve o mesmo efeito que a Starbucks. A empresa está tomando medidas legais contra a formação.

Embora a criação do sindicato só afete a loja em Towson, eles esperam um efeito dominó parecido com o da Starbucks e da Amazon, já que a Apple tem cerca de 270 lojas nos Estados Unidos. Até o momento, por exemplo, funcionários da loja da Apple da Estação Grand Central em Nova York estão preparando uma votação para criar um sindicato.

Devido ao crescente número de campanhas sindicais, a Apple anunciou aumento do salário mínimo de U$20 para U$22 por hora. Se isso vai ou não bastar para os trabalhadores no futuro, é questionável.


Traduzido do inglês por Fabricio Altran/ Revisado por Doralice Silva

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