ARTES VISUAIS

 

As obras comparam as surpresas do nosso cotidiano a imprecisão da água na tela e retrata a beleza e a força das árvores, chamando a atenção para a importância da conscientização ambiental coletiva

 

A artista plástica carioca Betina Abramovitz sempre foi uma apaixonada por aquarelas, principalmente para retratar o que mais a encanta, a natureza e a água. Betina, pisciana nata, conta que a forma delicada com que a água e a tinta se movem durante o processo de pintura sempre a fascinaram e acabou se especializando como aquarelista. Aliada à paixão pela aquarela está o interesse pelas árvores. Admiradora de Burle Marx, a artista vem, cada vez mais, estudando sobre o tema.

Suas obras já foram expostas, além de em mostras no Rio de Janeiro, como na Hípica, nos Estados Unidos, mais precisamente na Florida, na 18 edição do Palm Beach Show. Ela foi a mais jovem artista brasileira representada pela Saphira & Ventura Gallery. “Sua desenvoltura é ímpar e espontânea, e ela trabalha a difícil técnica da aquarela com sensibilidade, e mescla a poesia de suas cores, ora vibrantes, ora suaves, revelando habilidade e elegância”, define Saphira, Sócio- Fundadora e curadora da galeria. Seus trabalhos também foram expostos na Collab Miami Boutique Design Show, ambas em 2021. Quem também elogiou a trajetória de Abramovitz foi o Professor João Candido Portinari “Linda obra, sensível, delicadas tonalidades e transparências de verdes, nesta difícil técnica que é a aquarela. Parabéns à jovem artista”, completa.

Entre os dias 5 e 28 de maio Betina apresenta obras inéditas no Leblon, na Rezende Galeria (Molduras e Assessoria de arte), que sempre dá espaço à exposições temporárias.

Na mostra Raízes da floresta Betina irá expressar a sua ligação, desde muito jovem, com espaços ao ar livre e a conexão com os mais diferentes tipos de árvores. Ela conta que sempre morou, e ainda mora, próxima à natureza e isso colabora muito para o seu processo criativo e referências. Além disso, as constantes idas ao sítio da família fazem parte do interesse em retratar as paisagens através das cores e traços em suas aquarelas, uma mídia literalmente fluida, pois a água trabalha com o imprevisível. Ela diz que não apenas o que ela vê, mas os sons das matas que escuta também são inseridos em seus trabalhos. “Gosto de poder utilizar as cores para transmitir calor, frio, vento, emoção e sons”, conta ela. Betina ainda faz questão de mencionar que essa ligação, principalmente com as árvores, tem a ver com a admiração que ela tem pela avó materna, que sempre foi uma fortaleza para todos os membros da família. Uma mulher de coragem, forte e inspiradora.

Nesta nova mostra ela apresentará seis telas em formato A3 e A2, em cores frias, focadas em tons de verde e azul, transbordando todo esse sentimento e sensações. Árvores, raízes, troncos, estarão presentes na maioria dos trabalhos.

São aquarelas compactas e preenchidas, ou seja, o tipo de técnica onde é preciso aguardar que a camada de água e tinta fique seca, para que seja possível desenhar por cima. O espaço de respiro é necessário, não tem como passar por cima da natureza da aquarela. “Eu consigo em uma tela menor contar uma história maior”, afirma.

Além da tinta Betina pretende utilizar folhas de ouro em algumas obras, uma característica em suas exposições, para criar uma textura a mais em alguns dos trabalhos.

Admiradora de muitos aquarelistas como Dudi Maia Rosa, Winslow Homer e Reginald Marsh ela conta que também presta atenção à outras formas e técnicas e é fã de Sebastião Salgado, Vik Muniz, Lygia Clark, entre outros grandes.

Graduada em design de produto pela PUC-Rio em 2019, Betina vem traçando a sua história na arte e também passou um semestre cursando design gráfico na Parsons The New School for Design, em Nova Iorque. Um de seus objetivos é fazer com que o público dê uma atenção maior às aquarelas, muitas vezes não valorizadas como deveriam.

A artista de 28 anos pretende, através desta nova mostra, expor ao público a maravilha da imprecisão da vida através de suas aquarelas, além de atentar para a beleza da natureza e a vontade e necessidade de preservar. Betina traz a importância de uma conscientização ambiental cada vez maior e conta que vem procurando utilizar materiais mais recicláveis, como pintar em folhas de bananeira, entre outras ideias. “A aquarela não é uma técnica considerada fácil, devida à imprecisão do movimento da água, assim como a vida. Mas não podemos deixar de admirar a beleza dela”, diz Betina.

Raízes da floresta, por Betina Abramovitz

https://betinaabramovitz.com.br/a-artista/

@abramovitz.art

De 5 a 28 de maio

Visitação:

de segunda a sexta, das 14 às 18h

sábado, das 10 às 13h

Rezende Galeria (Molduras e Assessoria de Arte)

Rua General Venâncio Flores – 481 – Leblon