De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número de mulheres desempregadas, ou que buscaram colocação no mercado de trabalho em 2021 aumentou em relação ao ano anterior à pandemia da Covid-19. No total, foram 564 mil mulheres a mais buscando uma vaga, dentre as quais, 285 mil eram negras e 277 não negras. Esses e outros números evidenciam que, apesar de muitas lutas e de algumas conquistas, nós, mulheres, ainda temos um longo caminho a trilhar na busca de condições dignas de vida.

No documento intitulado “Mulheres no mercado de trabalho brasileiro: velhas desigualdades e mais precarização”, com o auxílio de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Dieese mostra que em 2019 havia um contingente de 47.504 mil mulheres empregadas, enquanto em 2021 esse número baixou para 46.398 mil, um total de menos 1.106 mil trabalhadoras ocupadas.

Além disso, a taxa de desocupação feminina nesse mesmo período aumentou de 14,3% para 15,9%, enquanto a masculina permaneceu estável, na casa dos 10%. De acordo com o estudo do Dieese, as mulheres negras encontraram ainda mais dificuldades, tendo sua taxa de desocupação em 2021 fixada em 18,9%, contra 12,5% das não negras.

Perdas consideráveis

O Dieese evidencia, ainda, que, mesmo quando ocupadas, houve uma proporção considerável de mulheres subutilizadas: um total de 33,3% em 2021, bem maior do que a dos homens, que esteve na casa dos 20,9%. Quanto às mulheres negras, essa subutilização atingiu a 39,1%, contra 26,2% das não negras. Conforme o relatório, “Vale destacar que a pandemia e a política econômica pífia do governou elevaram a subutilização da força de trabalho feminina”.

Dados do Instituto Ethos (que segundo seus criadores tem como missão sensibilizar, mobilizar e ajudar empresas a administrarem seus negócios de maneira socialmente responsável), a partir de informações colhidas em 117 das 500 maiores empresas brasileiras, em 2016 havia apenas 84 mulheres entre os 575 cargos executivos. E desse total de mulheres, apenas uma não contava com formação universitária. Ainda conforme esse levantamento, havia a predominância masculina formava um total de 88,1%. No que se refere às mulheres negras, ocupavam apenas 1,6% dos cargos de gerência.

Esses números, e outros tantos que não se encontram nem no estudo do Dieese, nem no levantamento do Instituto Ethos, demonstram perdas consideráveis na vida social e política das mulheres, as quais, no que se refere às questões econômicas, também geram resultados negativos. De acordo com o Banco Mundial, em estudo publicados no mês de março de 2019, uma participação maior da mulher no mercado de trabalho, e também uma maior projeção profissional, aumentaria o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 3,3%.

Por tudo isso (sem falar em outras tipologias de violência de gênero), é imprescindível a união das mulheres, e de toda a sociedade, em busca da igualdade de oportunidades, pois não devemos admitir que, em pleno século 21, as discriminações ainda continuem impedindo o crescimento pessoal, profissional e social de milhões de mulheres. E, nesse processo, é de fundamental importância reelaborarmos nossa educação, aquela que recebemos de nossas famílias e a que temos acesso nas instituições educativas formais, como escolas e universidades.

Homens e mulheres, meninos e meninas precisam aprender que a construção de uma sociedade mais humana e justa passa, também, pela plena igualdade no que se refere aos direitos fundamentais. Esse processo de [re]educação não pode ser negligenciado, sob pena de vermos esses e outros problemas continuarem e se perpetuarem em nossa sociedade, o que seria lastimável.