No âmbito das atividades do Outubro Não Violento no Equador, a agência internacional de notícias Pressenza traz a público sua publicação mais recente: “Jornalismo não violento: rumo a uma abordagem humanizadora da comunicação”.

Uma das autoras do livro é Pía Figueroa, codiretora da Agência que integra a redação chilena. Ela descreve que o livro, logo no primeiro capítulo, alude à “Humanização da comunicação: fundamentos de um jornalismo não violento”. Sob esse título encontram-se reunidos elementos centrais do novo humanismo, particularmente a concepção do ser humano como elemento histórico e social que transforma, por meio das suas ações, sua própria natureza. Nesse capítulo, desenvolvem-se aspectos conceituais que fundamentam um prisma bastante peculiar por lançar um novo olhar e de fazer acontecer.

Pía Figueroa

Desse primeiro capítulo Pía destaca a importância do psiquismo e seu espaço de representação. Para ela, a consciência humana é fundamental para pensar na reversibilidade, sem a qual não é possível distinguir a abordagem mais adequada para redigir as matérias. Essa temática não é tratada com frequência no jornalismo, afirma. Nesse sentido, Pía considera que este livro é um convite a pensar na questão da não violência e a assumir uma postura redatória na escritura a partir desse ponto de vista, em que narrar os fatos contribua também para a transformação de quem escreve e permita construir um mundo melhor.

Javier Tolcachier também assina esse trabalho e explica que o segundo capítulo trata dos princípios básicos para escrever a partir da abordagem da não violência. Javier ainda explica que nesse segundo capítulo foi fundamental a experiência adquirida em diversas oficinas realizadas em universidades e em instituições equatorianas, que serviram como “laboratório” para desenvolver e para ir configurando os princípios que se desenvolvem na narrativa do livro.

Javier Tolcachier

O autor ressalta que a visão do livro é ver a informação como um bem social e não como algo comercial. Javier argumenta que “além da informação, está a ação” e que o jornalismo deve mostrar essa ação coletiva constantemente.

Juana Pérez, que trabalha na editora de Pressenza na Espanha, também é coautora deste livro. Ela destaca a importância da seleção temática e de fontes para fazer um jornalismo não violento. Considera que a experiência de Pressenza é significativa devido à criação de uma agenda própria.

Juana Pérez

No livro, Juana propõe “fugir de uma linguagem discriminatória, que fomente a polaridade no discurso”. Afirma que meios de comunicação alternativos devem denunciar a violência e sempre oferecer opções para evitá-la.

Nelsy Lizarazo, como coautora do livro e editora da redação do Equador, afirma que todas as experiências reunidas serviram também para criar pistas metodológicas que, neste livro, desenvolvem-se no quarto capítulo e em duas outras partes. A primeira inclui quatro breves oficinas que tiveram o objetivo de aproximar conceitos-chave, tais como o olhar, a paisagem de formação, a intencionalidade e o humano. A segunda inclui guias concretos de aplicação, passo a passo, da abordagem não violenta a distintos formatos jornalísticos, como a notícia, a nota de opinião, a entrevista, a reportagem e a fotorreportagem.

Nelsy Lizarazo

O evento de lançamento do livro foi marcado pela apresentação de vídeos gravados por diversos representantes das redações mundiais de Pressenza. Sobre o trabalho da agência, Mariano Quiroga, da redação argentina, frisou “a independência que nos permite escolher nossas pautas (…), ou a quem vamos entrevistar. Ao passar a informação adiante, o que fazemos é um convide à participação do outro”. Sob o olhar deste voluntário: “Pressenza, assim como o livro, é uma amostra do trabalho coletivo”.

Para José Gabriel Feres, editor de la publicación, este libro es parte de la condensación de varias experiencias humanizadoras que también se han reflejado en otros libros, como la del año 2012 “Perspectivas desde el Humanismo sobre las encrucijadas del momento actual”; y del año 2014 “La crisis global: consecuencias y oportunidades”. Otro trabajo publicado desde una perspectiva humanista es el de Javier Tolcachier “Tendencias. Cuadernos de capacitación política”, publicado en el año 2019. Todos estos libros han estado enfocados a una mirada noviolenta y humanizadora. José Gabriel afirmó que cada trabajo realizado por los voluntarios de Pressenza, es un aporte en un momento en el que existe mucha incertidumbre.

Se quiser assistir à apresentação, clique aqui: https://youtu.be/2_MovZL5ypI


Traduzido do espanhol por Graça Pinheiro / Revisado por José Luiz Corrêa