Humanizar o mundo ou voltar ao normal?

08.04.2021 - EUA, Estados Unidos - David Andersson

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Humanizar o mundo ou voltar ao normal?
(Crédito da imagem: Bill Anders/Jim Weigang/Apollo 8 Crew/NASA)

Depois de meses de espera, o trem de alta velocidade da vacinação está finalmente saindo da estação e, felizmente, em breve, haverá lugar a bordo para todos. Talvez seja a primeira vez na história que todo ser humano em nosso planeta enfrentou o mesmo fenômeno simultaneamente. A escala mundial dessa pandemia redesenhou fronteiras e está testando nossa sociedade em seu alicerce. Mostrou a eficiência da comunidade científica que, dadas as diretrizes simples, em menos de um ano criou múltiplas vacinas em diferentes continentes. No extremo oposto, estamos assistindo ao colapso da esfera política, onde quase não houve coordenação internacional, apoio insuficiente para a comunidade médica e um nível desastroso de falta de comunicação em relação ao vírus e à implementação da vacinação. Pior ainda são as corporações, que estão basicamente ficando de fora da pandemia, esperando para roubar qualquer coisa que puderem e, ao mesmo tempo, concentrando ainda mais seu poder, como abutres se banqueteando sobre presas enfraquecidas.

Estamos diante desta situação peculiar, com um processo de vacinação que, dia após dia, ganha impulso e uma campanha nos grandes meios de comunicação que promete que em breve iremos “voltar ao normal”. (Em seu primeiro discurso importante, o presidente Biden se gabou de que “os EUA podem voltar a uma espécie de normalidade até o quarto de julho”.) Isso é loucura: ninguém quer voltar ao normal, quando “normal” significava violência contra as mulheres, famílias que vivem na pobreza, empregos sem sentido, ar e água poluídos, escolas segregadas, religiões racistas, orçamentos militares imorais e políticos corruptos. Este “normal” está bloqueando o processo evolutivo da humanidade de superar a dor e o sofrimento, e está minando a construção de uma nação humana universal diversa e não violenta. Aqui estão alguns sinônimos para normal: usual, padrão, típico, comum, ordinário, convencional, habitual, esperado, chato, mecânico. Eu te pergunto, quem quer viver em uma sociedade normal?

A população mundial não suportou essa pandemia e sofreu por todos esses problemas por nada. Todos estão cientes de que as coisas precisam mudar em todos os lugares. É o momento de humanizar a terra, uma oportunidade de agarrar uma nova perspectiva de vida e de forjar uma nova imagem do nosso futuro coletivo. A relação entre culturas precisa ser humanizada, corporações e sistemas econômicos precisam ser humanizados, a participação social e a representação política precisam ser humanizadas, nossa relação com a natureza e nosso planeta precisa ser humanizada. O significado das nossas vidas precisa ser humanizado.

Como vimos com a pandemia, e antes disso com as mudanças climáticas, o mundo é único e está interconectado. Agora, as pessoas precisam se sentir únicas e interconectadas. A nossa força é a nossa universalidade, tudo tem de ser para todos. Não podemos vacinar alguns e outros não. Não podemos ter alguns trabalhando pela mudança climática e outros poluindo como loucos. Não podemos ter algumas nações com excesso de alimentos, outras com comunidades famintas. Não podemos ter alguns países com armas nucleares e outros intimidados como crianças no parquinho. Não podemos ter algumas famílias com várias residências e outras morando na rua. Não podemos ter algumas crianças com laptops e conexão wi-fi e outros sem nem almoçar. Estamos cansados de tentar encontrar uma solução gradativa, dando um pouco para alguns e nada para outros. Não podemos mais deixar o Sistema jogar sua política de “poder de divisão”. “Divide ut regnes” (dividir, a fim de reinar) foi uma prática romana de realocar grupos com desavenças de longa data próximos uns dos outros para que suas lutas constantes os impedissem de colaborar para derrubar o domínio romano. Atualmente ainda é a tática dominante, e devemos estar vigilantes para evitar que ela seja usada contra nós.

Somos os trabalhadores da linha de frente do futuro da humanidade, lutando contra a apatia e o niilismo, lutando pela convergência da diversidade, se organizando contra a injustiça através da não-violência ativa e promovendo a igualdade de direitos e de oportunidades para todos os seres humanos. Precisaremos da energia, das ideias e do esforço de todos se quisermos aproveitar esta oportunidade e, espero, finalmente, nunca mais voltar ao normal.


Traduzido do inglês para o português por Doralice Silva / Revisado por Larissa Dufner 

Categorias: América do Norte, Humanismo e Espiritualidade, Opinião, Política
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