OPINIÃO

 

 

Por Sergio Mesquita

 

 

“Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.”

John Lennon

 

 

Muito se fala e escreve sobre a questão da “normalização”. Normalizamos o número de mortes da COVID-19. Normalizamos os mandos, os desmandos e as palhaçadas daquele que foi eleito presidente do Brasil. Normalizamos as “Fake News” e a não punição de seus produtores. Normalizamos a mídia corporativa e suas mentiras. Os exemplos são muitos e ficaria um tanto quanto cansativo expô-los aqui, pois me parece que, também normalizamos o normalizar.

Fato é que quando se discute a questão da normalização, a mesma acontece em um nível raso, apesar de suas consequências. Discute-se a ponta do “iceberg” e não a sua totalidade, seus impactos futuros. Um bom exemplo está na compra das vacinas pelos estados e municípios.

Ninguém vai se colocar contra – nem eu. O ato da compra da vacina e sua aplicação, acaba por tornar-se um ato de resistência aos “terraplanistas” e ao genocida de Brasília. Enfim, a estes governos de inconsequentes, eleitos no rastro da família que se instalou em Brasília.

O ato de buscar a manutenção da vida, não teria qualquer efeito colateral se fôssemos continuar a viver (espero que não), entre pandemias e com estes mesmos governos, que pensam tal qual seu mito e/ou ajudaram a elegê-lo. Todos passaríamos a defender a descentralização da Saúde e até mesmo, a sua consequente privatização, pois teria todo o sentido não depender de Brasília.

O fato é que a normalização da compra das vacinas por prefeitos e governos estaduais, acaba por criar uma cortina de fumaça a favor da privatização do Sistema Único de Saúde – SUS e o fim da Saúde Pública do Brasil. A partir do discurso da descentralização, ensaiado por Bolsonaro, quando diz ser da responsabilidade dos governadores os problemas da pandemia, ou ao contrário, ao tentar impedir que prefeitos e governadores tomem atitudes, produz assim mais fumaça. A cada investida, maior o sentimento de descentralização do SUS.

Por outro lado, alguns prefeitos e governadores, em especial aqueles que apoiaram desde o primeiro momento os golpes e os crimes cometidos que levaram Bolsonaro à presidência do Brasil, só enxergam a compra das vacinas eleitoralmente, e continuarão a apoiar a privatização da Saúde e o fim do Estado, talvez sem a presença do “coiso”. Outros, realmente preocupados com o bem estar da população e assustados, como todos nós, com o crescimento das mortes e da contaminação, tratam do imediato e não chamam a atenção do que poderemos enfrentar mais à frente. O total caos com a possível privatização da Saúde, em especial, para aqueles empobrecidos pelo sistema.

Estão faltando às ações práticas e necessárias, a ação política. Aquela que pensa o bem estar da população como um todo, em especial dos empobrecidos. Precisamos deixar claro que são as grandes corporações que se beneficiam e enriquecem com a pandemia. São estas mesmas corporações que desejam a privatização das Saúde e o Estado Mínimo. São elas, que através de seus capatazes, seus gerentes aqui no Brasil e nos EUA, financiaram o Golpe em 2012, a pretensa primavera em 2013, a continuação do golpe em 2016, a prisão do Lula e a eleição do Bolsonaro e seus filhos.

Faz parte de cada cidadão, cada vereador, deputado e prefeito não se deixar normalizar. São mais de 16 anos de desmando e crimes realizados por políticos, empresários e por membros da Justiça tentando acabar com o Brasil e sua soberania conquistada, que deixou saudades no mundo.

Não a normalização de nossas vidas!