Os fenômenos climáticos e energéticos do Texas

03.03.2021 - Estados Unidos da América - David Andersson

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Os fenômenos climáticos e energéticos do Texas
(Crédito da Imagem: Imagem de um vídeo do Youtube)

Enquanto milhões de pessoas no sul dos EUA estão sem energia pelo terceiro dia devido às históricas tempestades de inverno, alguns se perguntam por que o Texas não está pedindo ajuda para outros estados.

A resposta a essa pergunta passa por dois pontos importantes. Um diz respeito à rede elétrica e o outro, às mudanças climáticas.

Comecemos com o primeiro. Ao contrário do resto do país, o Texas tem uma rede elétrica própria e que NÃO está conectada a nenhuma outra. 90% do fornecimento de energia da área é conectado a uma rede que não extrapola as linhas estaduais. Essa configuração surgiu da resposta do estado ao Federal Power Act de 1935 , que deu ao governo federal autoridade para regulamentar as empresas de energia envolvidas no comércio interestadual. As empresas texanas concordaram em não operar fora do seu território, o que lhes permitiu evitar a regulamentação. Agora, quase 100 anos depois, tudo permanece igual. Libertários e políticos de direita nada fizeram para mudar esse cenário absurdo. Milhões de pessoas foram deixadas no escuro e no frio por causa de uma legislação federal. É mesmo irônico que o estado que mais se identifica com a produção de energia (petróleo) esteja agora nessa situação. Você consegue imaginar, em pleno 2021, ficar sem eletricidade por 3 dias? Sem telefone, TV, computador, geladeira, aquecedores, modem a cabo, wi-fi, tablet, fogão, cafeteira, torradeira, micro-ondas, iluminação, máquina de lavar, relógio, secadora, alto-falantes… e a lista continua.

Enquanto o Texas e outras partes do país se protegem e se preparam para a segunda onda de tempestades de inverno, alguns questionam o papel das mudanças climáticas nesses padrões extremos em todo o país.

Chris Gloninger, meteorologista da NBC10 Boston, apontou uma clara conexão.

“Há ondas na corrente de jato e, por causa das mudanças climáticas, do ar mais quente no Ártico e do degelo no Mar Ártico, elas podem se mover bem para o sul” – disse Gloninger. “Portanto, lugares como o Alasca ou a Islândia, onde os termômetros marcam hoje algo em torno dos 4 graus, estão mais quentes do que lugares como Texas, Louisiana ou Oklahoma. É por isso que estamos vendo esses extremos.”

Hoje, o Estado da Estrela Solitária se depara com dois velhos conceitos de sociedade totalmente obsoletos. O primeiro é o individualismo sem a menor necessidade de qualquer vínculo ou coordenação com o nível federal ou internacional (tirando as transações comerciais “normais” aplicadas ao mercado de petróleo). Essa postura egocêntrica e tipicamente exercida por homens brancos está morta e não tem futuro. A segunda questão é entender que as mudanças climáticas são reais e devem ser levadas em conta. O estado precisa se adaptar, modificar a infraestrutura e se preparar ao máximo para possíveis dificuldades (mudanças no nível do mar e na temperatura, falta de água limpa etc). Terá de pressionar as empresas de petróleo a se tornarem empresas de energia verde. Para que isso aconteça, será necessária uma profunda transformação do cenário político, que seja tão grande quanto a própria mudança climática. É hora de demitir os demagogos que criaram essa situação inimaginável e deixaram um estado impotente, com milhões no escuro (obscurantismo) e com frio (crueldade).

Não consigo imaginar o que os texanos estão enfrentando agora. Mas, com certeza, posso imaginar o que podem fazer para transformar as vidas e o futuro dos que lá habitam.


 

Traduzido por Felipe Balduino / Revisado por Larissa Dufner

Categorias: América do Norte, Ecologia e Meio Ambiente, Opinião
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