Por Alice Slater para o InDepthNews.

A missão estadunidense de dominar e controlar o uso militar do espaço tem sido, histórica e atualmente, o maior obstáculo no alcance do desarmamento nuclear e de um caminho pacífico para a preservação da vida na Terra.

O ex-presidente Reagan rejeitou a oferta de Gorbachev que propunha a desistência da Guerra nas Estrelas como uma condição para ambos os países eliminarem todo seu acervo nuclear quando o muro foi derrubado e Gorbachev libertou todo o leste da Europa da ocupação Soviética, milagrosamente sem um disparo.

Bush e Obama bloquearam qualquer discussão em 2008 e 2014 para propostas da Rússia e da China que vetassem as armas espaciais no consenso regido pela Conferência para o Desarmamento em Genebra, onde esses países esboçaram um tratado para ser considerado.

Em 1967, após promulgar um tratado em para impedir a colocação de armas de destruição em massa no espaço sideral, a cada ano desde a década de 1980, a ONU analisa uma resolução para a prevenção de uma corrida armamentista no espaço sideral (PAROS) com o objetivo de prevenir QUALQUER militarização no espaço, o qual os EUA votaram, consistentemente, contra.

Clinton recusou a oferta de Putin que propunha a redução de ambos os nossos imensos arsenais nucleares para 1000 bombas cada e convocava os demais à mesa para negociar a eliminação deles, contanto que parássemos de desenvolver áreas de mísseis na Romênia.

Bush abandonou o Tratado de Mísseis Antibalísticos e firmou novas bases de mísseis na Romênia, sendo uma outra inaugurada por Trump na Polônia, logo no quintal da Rússia.

Obama rejeitou a oferta de Putin para negociar o tratado de banimento da guerra cibernética.

Trump estabeleceu uma nova divisão militar, a Space Force, separada da Força Aérea americana para continuar a destrutiva condução dos Estados Unidos à dominação espacial.

Nesse momento excepcional da história, quando é necessário que o mundo se junte e coopere no compartilhamento de recursos em prol do fim da praga global que tem agredido seus habitantes e buscando evitar uma catastrófica destruição climática ou a chocante devastação nuclear, estamos, pelo contrário, desperdiçando nosso tesouro e capacidade intelectual em armas e conflitos espaciais.

Essas parecem ser a fratura na falange da oposição militar-industrial-congressista-acadêmica-midiática dos Estados Unidos em fazer com que o espaço seja um lugar pacífico. John Fairlamb, coronel aposentado do exército, que formulou e implementou estratégias e diretivas nacionais no Departamento de Estado dos Estados Unidos e como assessor de negócios da polícia militar a um maior comando do exército, acabou de tocar a trombeta em uma ligação para reverter o curso das decisões tomadas! Entitulado, The US Should Negotiate a Ban on Basing Weapons in Space, Fairlamb argumenta:

Caso os Estados Unidos e outras nações continuem o atual esboço de organização e preparação para a condução de uma guerra no espaço, a Rússia, a China e os demais terão de se esforçar para incrementar suas capacidades de destruir os bens espaciais dos EUA. Com o passar do tempo, isso aumentará a ameaça para a vasta gama de recursos espaciais dos Estados Unidos. Inteligência, comunicação, vigilância, orientação e navegação já alocadas no espaço, das quais o Departamento de Defesa depende para comandar e controlar operações militares estarão sob um risco significante. Como consequência, a militarização do espaço poderia se tornar o clássico caso de tentar resolver um problema criando outro ainda pior.

Fairlamb acrescenta:

A administração de Obama se opôs à proposta russa e chinesa de 2008 que visava banir as armas no espaço por serem inverificáveis, não continha nenhuma proibição sobre o desenvolvimento e armazenamento de armas espaciais, além de não endereçar armas espaciais terrestres, tais como mísseis antissatélite de ascensão direta..

Ao invés de somente criticar as propostas alheias, os Estados Unidos deveriam juntar-se aos esforços e fazer o trabalho duro de criar um acordo de controle de armas espaciais que lida com as preocupações que temos e podem ser verificadas. Um tratado legal e internacional banindo as bases de armas espaciais deveria ser objetivo. https://thehill.com/opinion/national-security/536774-the-us-should-negotiate-a-ban-on-basing-weapons-in-space?rl=1

Vamos esperar que as pessoas de boa vontade possam fazer com que isso aconteça!


Traduzido do inglês por Laura Zanetti / Revisado por Larissa Dufner

O artigo original pode ser visto aquí