O presidente iraniano, Hassan Rouhani, avisa a seu homólogo francês que perder as oportunidades para preservar o acordo nuclear poderia piorar a situação.

Em uma conversa por telefone realizada essa terça-feira, dia 02 de março, com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, o governante iraniano reiterou que a decisão de Teerã de reduzir gradualmente seus compromissos, conforme lhe dá direito o acordo nuclear firmado em 2015, é consequência da retirada dos Estados Unidos (EUA) do tratado e da incapacidade dos três países europeus, ou seja, Reino Unido, França e Alemanha, em cumprir com suas obrigações.

Rouhani alega que o Plano Integral de Ação Conjunta (PIAC ou JCPOA, por suas siglas em inglês) é um pacto multilateral importante, com regras específicas, e respaldado pela Resolução 2231 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), sendo, portanto, disse o presidente persa, impossível renegociar.

“O JCPOA não é renegociável de maneira alguma, assim, a única forma de conservá-lo e reativá-lo é eliminando as sanções impostas pelos EUA”, enfatizou o governante iraniano.

“Qualquer posição não construtiva da Junta de Governadores da AIEA criará novos desafios”

A respeito da recente decisão de Teerã de suspender a implementação voluntária do Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP) nuclear, Rouhani explicou que essa medida executa uma lei do Parlamento iraniano, denominada “Ação Estratégica para Levantar as Sanções”, e esclareceu que o Irã continua com sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Além disso, o governante persa informou que a República Islâmica nunca se retirou do JCPOA e anulará os passos dados para reduzir seus compromissos nucleares, desde que as outras partes cumpram com suas obrigações.

“No entanto, qualquer ação ou posição não construtiva da Junta de Governadores poderia representar um novo desafio e só serviria para complicar a situação atual”, advertiu o presidente.

Macron, por sua vez, destacou que a preservação do JCPOA é uma necessidade indispensável para a comunidade internacional e encorajou o prosseguimento das negociações para conseguir o pleno retorno de todas as partes ao cumprimento do acordo.

O presidente francês indicou que a Europa está disposta a reativar os esforços nas próximas semanas para salvar o JCPOA.

O Irã assegura que nenhuma das medidas que adotou após a saída dos EUA do acordo nuclear viola o convênio e que somente são realizadas para garantir os interesses que Teerã considerou que não estavam atendidos no marco do PIAC.


 

Traduzido do espanhol por Graça Pinheiro / Revisado por Tatiana Elizabeth

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