Vamos celebrar as mulheres não apenas hoje, 8 de março, mas durante todo o mês.

A partir de amanhã, uma série de entrevistas com mulheres, que intitulamos Construtoras do futuro, rumo a uma cultura não violenta, aparecerá em Pressenza.

Iniciaremos a série com Vandana Shiva (Índia), que será seguida por Cheja Abdulahe (Saara Ocidental) e Moema Viezzer (Brasil), entre muitas outras.

É uma amostra de histórias de mulheres de todo o mundo, que iremos compartilhando sucessivamente.

O título Construtoras do futuro, rumo a uma cultura não violenta fala por si mesmo. São mulheres – algumas conhecidas e, a maioria, nem tanto – que trabalham no seu cotidiano a partir do ativismo, para construir um futuro que coloque a vida no centro, tanto a vida das pessoas, como também o meio que habitamos e com o que constituímos um todo indissolúvel, que transformamos e que nos influencia em uma incessante e dinâmica interação.

Mulheres que empurram na direção da vida, da rebelião contra o estabelecido – como denúncia de um sistema cuja essência é a violência, porque se baseia no poder de alguns seres humanos sobre outros, na negação da humanidade da maioria da população e eliminando a vida em todas as suas formas – enquanto vão construindo junto a outras as bases do futuro não violento a que todas e todos aspiramos.

Muitas se reconhecem como feministas, enquanto outras não falam sob esse mesmo ponto de vista. Mesmo assim, todas desenvolvem o feminino, os cuidados, ocupando-se de si mesmas e dos que estão próximos, empurrando a outras, tecendo redes.

Mulheres que não querem renunciar aos seus direitos, que reivindicam as suas causas, o seu corpo e as suas relações da mesma forma que as suas crenças ou a sua espiritualidade, que se querem completas e livres.

Neste projeto, também vamos construindo o futuro…

Compartilharemos as entrevistas em formato de vídeo ao longo das próximas semanas. Elas serão publicadas em diferentes idiomas, na medida em que nosso trabalho voluntário nos permita. Gostaríamos de ter um maior equilíbrio, com mais presença de mulheres africanas ou asiáticas, por exemplo, mas ainda não foi possível. Continuaremos na tentativa.

Este projeto foi desenvolvido por mulheres (entrevistadas, entrevistadoras, intérpretes, ilustradoras, produtoras, cineastas) que contaram com o fantástico apoio de homens, que também se colocaram a serviço da iniciativa. Começamos com a ideia de entrevistar uma mulher por continente, para publicar no próprio 8 de março, Dia Internacional da Mulher, mas, à medida que a ideia era compartilhada, foi crescendo como uma árvore na primavera, como um jogo em que colegas e amigas iam se empolgando e se juntando a outras; um exercício que nos obrigou a mudar de papéis, perguntando e sendo perguntadas, aprendendo e ensinando, construindo pontes e criando novas redes que estão nos permitindo crescer em inteligência coletiva.

Nesta prática, estamos ampliando nossa mente, nosso coração e nosso olhar, construindo relacionamentos, apoiando-nos, aprendendo umas com as outras, inspirando-nos mutuamente… Em suma, o mesmo projeto está nos permitindo construir esse futuro não violento a que aspiramos.

Somos muito gratas, portanto. Enquanto isso, continuamos soprando a favor da vida.


 

Traduzido do espanhol por Mércia Santos / Revisado por Graça Pinheiro