Vida online: a perspectiva de estudantes universitários sobre o ensino remoto

11.02.2021 - Estados Unidos da América - Pressenza New York

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Vida online: a perspectiva de estudantes universitários sobre o ensino remoto
(Crédito da Imagem: Pressenza NY)

Por Rebecca Diers – SUNY em Cortland

Praticamente sem aviso prévio, a vida dos estudantes universitários, no ano passado, deixou de ser em as salas de aula, onde estavam com seus professores e colegas de turma, para ser em suas casas, onde somente poderiam vê-los por uma tela. Quase um ano depois, essa ainda é a situação de muitos alunos. No último semestre, na State University of New York (SUNY) em Cortland, todo o campus foi transferido para o ensino remoto, depois que o número de casos positivos de Covid-19 ultrapassou a casa dos 100, durante várias semanas consecutivas. Com o início do novo semestre na semana passada, 70% das aulas em Cortland ainda são realizadas online, com apenas alguns encontros presenciais. Para a maioria dos alunos, a mudança para o ensino remoto tem sido um desafio.

A impossibilidade de realização de aulas presenciais tem afetado a capacidade de aprendizagem de muitos alunos. Para alguns, isso decorre das distrações presentes na modalidade de ensino a distância. Entre os alunos que entrevistei, parece ser consensual que eles mantêm mais o foco e retêm mais informações quando estão em sala de aula, do que se comparados ao ensino remoto.

Quando questionada sobre as suas experiências com o ensino remoto, Emily, que faz parte do Programa de Treinamento para Atletas, respondeu: “Eu tenho que estar na sala de aula — qualquer coisa online, não guardo nada do mesmo jeito… quando estou nas aulas online, para mim é como se não estivesse ali… não participo, não ouço lhufas, não consigo me concentrar”.

Lindsay, pós-graduanda em Educação Física, pensa da mesma forma que Emily: “Quando estou na sala de aula, mantenho meu foco no professor; mas nas aulas online, olhando para o computador, me distraio mais, porque estou deitada na cama e com meu celular ao lado”.

E continuou: “Quando estou fazendo trabalhos online, me sinto como se estivesse somente fazendo o que tem de ser feito, em vez de estar realmente aprendendo”.

Após ouvir a resposta de Lindsay, perguntei a outros alunos se sentiam que realmente aprendem online ou também sentiam que estavam apenas fazendo os trabalhos para obter notas. Kevin, pós-graduando em Recreação e Vida ao Ar Livre, fez observações interessantes sobre isso.

Ele disse: “Acho que praticamente o mesmo ocorre em qualquer atividade online. Obviamente, qualquer coisa feita numa sala de aula é muito mais real e útil — eu imagino — mas isso depende da forma em que se dá o seu aprendizado. Algumas pessoas são práticas, outras são técnicas — precisam de alguém que lhes explique no momento e também de recursos visuais. O ensino online é uma ferramenta, e se usada junto com o ensino presencial, é ótima. Se usada sozinha, sendo bem específico, não é eficaz. Não acho que esteja aprendendo menos, mas a forma como retenho o conhecimento não se alinha com o ensino remoto. Entretanto, com toda essa situação envolvendo o ensino remoto, melhorei meu aprendizado através de métodos online”.

Em termos de eficácia, não existe uma única forma de aprender remotamente, o que dificulta a adaptação dos alunos às rotinas e aos diversos métodos utilizados pelos professores.

Em relação a isso, Kevin disse: “Praticamente todo instrutor, professor ou facilitador tem uma abordagem diferente para o ensino remoto, sejam programas ou estilos de ensino diferentes — não há um método único utilizado em todas as aulas, então é muito difícil se adaptar a cada um, e isso tem sido um grande obstáculo ao aprendizado eficaz durante os últimos três semestres”.

Outro desafio ligado ao ensino remoto é a forma como ele afasta os alunos de experiências práticas, as quais são necessárias durantes suas graduações e para suas futuras carreiras.

Quando questionada sobre como acha que o ensino remoto afetará seu futuro, Lindsay, que espera dar aulas de educação física para alunos do ensino fundamental, comentou: “Como não tenho aulas presenciais, não estou tendo nenhuma experiência ou prática de ensino. No ano passado, quando dava aulas, estava ficando cada vez melhor, mas agora não tenho a oportunidade de praticar”.

Da mesma forma, Rachel, pós-graduanda em Recreação Terapêutica e que espera trabalhar com terapia ocupacional, disse: “Não estou tendo a experiência prática com pessoas, e isso me ajudaria muito na carreira. Também sinto que, sem essa experiência, será mais difícil conseguir um emprego, pois não tenho o conhecimento que outras pessoas obtiveram através de suas experiências e da interação com pessoas”.

Devido à falta de experiência prática, Emily — que já teria 450 horas de experiência clínica, não fosse a implementação do ensino remoto — está pensando em mudar de carreira. Ela disse: “Já estou pensando em mudar de carreira, porque a minha — como você sabe — é muito prática, e não tivemos nenhuma prática clínica, então, basicamente, quero mudar para algo que possa fazer online, já que parece que isso nunca vai acabar”.

Apesar dessas desvantagens do ensino remoto, Kevin ressaltou algo promissor: “Acho que o ensino se tornará mais acessível para pessoas que, a princípio, não o viam como algo possível para elas. Então, alguém que pensava ‘A universidade não é para mim’, talvez agora, com o ensino online, o ingresso em um curso superior seja mais acessível. Eu acho que isso o tornará [o ensino] mais disseminado”.

Por enquanto, o ensino remoto é algo ao qual a maioria dos alunos precisa aprender a se adaptar, até que o mundo volte ao “normal”. Até lá, talvez os desafios impostos nos tornem mais conectados uns aos outros.


Rebecca Diers é estagiária na Pressenza, como parte do seu curso de pós-graduação em Escrita Profissional na SUNY em Cortland. Sua outra pós-graduação em antropologia alimenta sua paixão por compreender diferentes culturas e criar conexões com as pessoas. Ela usa a escrita como uma forma de dar sentido ao mundo e inspirar senso de humanidade em seu público-leitor.


 

Traduzido do inglês por Samuel Francisco e revisado por José Luiz Corrêa

Categorias: América do Norte, Educação, Jovens, Opinião
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