Golpe de estado em Myanmar

02.02.2021 - Ferrol, Espanha - Ángel Sanz Montes

This post is also available in: Espanhol

Golpe de estado em Myanmar
(Crédito da Imagem: Ángel Sanz)

Na madrugada de segunda-feira, primeiro de fevereiro, o exército de Myanmar deu o golpe de estado que há tempos ameaçava realizar. As eleições de novembro de 2020 foram consideradas um referendo para o restabelecimento da democracia, com resultados claramente favoráveis ao partido do governo NDL (Liga Nacional pela Democracia), que defendia este processo. Os militares não concordaram com o resultado.

Apesar da COVID-19, Aung San Suu Kyi venceu, com folga e alta participação, as primeiras eleições democráticas que foram realizadas no país (a antiga Birmânia) desde a década de 1960.

O Parlamento devia ter se reunido pela primeira vez nesta segunda-feira. Umas horas antes, Aung San Suu Kyi e outros líderes políticos da NLD foram presos. Posteriormente, nesse mesmo dia, os ministros foram substituídos.

Como parte do processo de democratização iniciado em 2011, o governo militar deveria ter chegado ao fim em 2015 e ter devolvido o poder aos civis eleitos. Não obstante, o exército reteve o poder de facto, dado que 25% do Parlamento está formado por “observadores” militares

O exército declarou o estado de emergência até o ano que vem porque considera que a soberania da democracia está ameaçada e comunicou a transferência do poder ao general Min Aung Hlaing.

O general e sua junta militar recém-constituída determinaram a prisão domiciliar da chefe do governo Aung San Suu Kyi e de outros membros destacados do seu partido e do gabinete, acusando-lhes de irregularidades e fraude eleitoral, algo que nenhum dos observadores internacionais pôde observar nem confirmar.

Como responde o povo de Myanmar ao golpe?

Com opiniões divididas e passividade. Para o país, a ditadura e a tutela militar têm sido uma constante. Alguns mianmarenses celebram, entusiasmados, a volta do exército ao poder. Porém, com os tanques nas ruas, não se sabe ao certo quantos são aqueles que se opõem ao golpe. Depois das eleições, a esperança foi claramente interrompida. Aung San Suu Kyi goza de popularidade no seu próprio país graças à sua luta pela democracia e sua resistência à junta militar, que a manteve em prisão domiciliar durante 15 anos. Por conta dessa luta, ganhou prêmios internacionais, incluindo o Prêmio Nobel da Paz de 1991.

A respeito dos resultados das urnas de novembro do ano passado, a vitória “avassaladora” e a alta participação indicam que os mianmarenses ainda têm fé em Aung San Suu Kyi. Entretanto, fora do país, há interpretações distintas da sua trajetória política. Ela tem sido duramente criticada a nível internacional por causa da sua passividade no genocídio contra os rohingyas ou, inclusive, acusada de envolvimento por inação. Em Myanmar, porém, isso parece ter pouco efeito na sua popularidade. A minoria rohingya é perseguida no país, cuja população é, majoritariamente, budista. Os rohingyas são insultados, a Constituição não os reconhece como um dos grupos étnicos do país e nem sequer podem obter a cidadania, embora tenham nascido lá. No início do processo de democratização, Aung San Suu Kyi contou com o apoio dos rohingyas, publicamente. Contudo, para muitas pessoas, fora do seu país, ela passou de ser Nobel da Paz à indiferente ou cúmplice diante de um genocídio.

Como a comunidade internacional reagiu?

O golpe dado pelo exército foi condenado internacionalmente, tanto pelos países vizinhos, como pelo resto do mundo. A União Europeia (UE) foi uma das primeiras a reagir “de maneira enérgica”, pedindo que os detidos sejam liberados e que os resultados eleitorais sejam respeitados. As Nações Unidas se manifestaram em termos similares.


 

Traduzido do espanhol por Graça Pinheiro / Revisado por Elizabeth Pereira

Categorias: Asia, Política
Tags: , , ,

Boletim diário

Digite seu endereço de e-mail para assinar o nosso serviço de notícias diárias.

Search

Whatsapp

Pressenza Whatsapp

Informe Pressenza

Informe Pressenza

Caderno de cultura

Caderno de cultura

O Princípio do fim das armas nucleares

Documentário 'RBUI, o nosso direito de viver'

Canale YouTube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

xpornplease pornjk porncuze porn800 porn600 tube300 tube100 watchfreepornsex

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.