Incomodados

15.11.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Clementino Junior

Incomodados
Imagem de divulgação (Crédito da Imagem: TSE)
OLHARES

 

“Quem compõem um pretrobrás
Incomoda muita gente
Quem compõem dois pretrobrás
Incomoda muito mais

Quem compõem dois pretrobrás
Não a cristo que aguente
O cão com três tridentes,
Quer bater de frente
Com quem compõem três pretrobrás”
(Itamar Assumpção — Os Incomodados Que Se Mudem — gravação 2010)

Sobre o ditado “os incomodados que se mudem”, existem dimensões do incômodo e de como extingui-lo ou remediá-lo. Mas ouvimos este ditado normalmente vinculado à posse, ao poder, de incomodar e pressionar quem não “dança conforme a música” a tomar uma posição. Retirar-se de um lugar que também lhe pertence ou cujos direitos sejam iguais ou parelhos a quem lhe incomodou.

Lógico que igualdade aqui é uma palavra fria e sem potência, em um país que se constrói em propor desigualdades e na exaltação da subalternização. Lógico que o papo aqui não é só sobre capital, pois, assim como a “onda da kombucha”, se você não estimular, ele não funciona. Mas as pessoas se sentem bem alimentando esse “bichinho”, o tal do capital.

Na tal mudança proposta — ou imposta — não precisa se abandonar onde se está, como na época em que o país vivia o “ame-o ou deixe-o”, ou quando os vizinhos incômodos tiram a sua paz e você busca outra vizinhança. A mudança, por vezes, é você criar um novo movimento sem sair do lugar. E um movimento que, por si só, transforme esse lugar.

Quem cria o incômodo não liga para o efeito no outro, mas na satisfação de incomodar e, politicamente, isto tem funcionado muito bem a favor de um poder que só mudou a cara e tornou explícito um discurso que outrora era disfarçado e agora é direto. Um discurso onde quem não está nesse padrão, que já não agrada a todas e todos, deve ser exterminado ou, como segunda opção, assimilado.

Nas gringas, em um país que funciona de matriz para muitos padrões de discurso e imagem para o mundo, inclusive para cá, uma minoria bem pouco numerosa se incomodou, se movimentou, foi às urnas e expôs o seu incômodo em reação. Talvez não seja crença em uma oposição que fará o seu papel, mas a certeza de que não dá para alimentar o bichinho agressivo que, ao contrário da Kombucha, se alimenta da sua atenção para te fazer bem. Mas já é uma mudança por parte dos incomodados. Uma espécie de tratamento em vários passos e o voto é só o primeiro para quebrar um ciclo vicioso.

Nunca fomos bons imitadores, inclusive somos criativos e com personalidade, mas não expandimos isso diante de tantos padrões inúteis a seguir para ter um status de soberania e por já estarmos pensando em um lucro que não foi planejado para nós… Só para quem incomoda.

O incômodo é bom para nos tirar da zona de conforto e tomarmos uma decisão sobre se queremos resolver de vez a causa do que nos incomoda ou se vamos administrar um paliativo por não querer abrir mão de algum mínimo benefício do que aí está. Sou mais pela primeira opção, cortar o mal pela raiz. E, quando se identifica o incômodo comum de uma comunidade, e essa se junta para resolver, a chance de todos saírem felizes é imensa.

Que todos aproveitem essa saída arriscada do dia da eleição para resolver este incômodo de forma propositiva.

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Opinião
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