Sobreviveríamos a uma pandemia sem o SUS?

03.10.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Redação Rio de Janeiro

Sobreviveríamos a uma pandemia sem o SUS?
(Crédito da Imagem: Marcello Casal/Jr-Agencia Brasil)

Por Aline Marques*

Em tempos difíceis de pandemia da Covid-19, os brasileiros sofrem inúmeros desgastes sociais relacionados à crise econômica e desemprego, levando-se ainda em conta as questões de ordem prioritária relacionadas à saúde. Desde que foi criado em 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS), passa por desgastes de diferentes ordens que dificultam suas ações, seu desenvolvimento, mas apesar de problemas como questões no financiamento, dificuldades na manutenção de recursos humanos e fragilidades com a gestão em saúde, o SUS sobrevive!

​Torna-se cada vez mais importante considerar que o SUS, com seus princípios de universalidade, equidade e integralidade, se faz presente e atuante na realidade das necessidades da população brasileira. Inspirado em valores como igualdade, democracia e emancipação, o SUS está inserido na Constituição Federal, na legislação ordinária e em normas técnicas e administrativas. O Movimento da Reforma Sanitária Brasileira (MRSB) também conta com entidades que seguem no compromisso com a defesa do direito universal à saúde, a exemplo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

​A pandemia de Covid-19 nos revelou a necessidade na mudança do paradigma da valorização desse sistema de saúde, tão citado em outros países como modelo norteador de atenção à saúde das populações, com acesso igualitário aos desempregados, pobres ricos, enfim, toda a população brasileira, sem distinção, atendidas pelo sistema único de saúde (SUS), e uma certeza positiva, é que a resposta eficaz e rápida certamente virá, na mesma proporção em que cada um de nós, cidadãos brasileiros, nos considerarmos pertences a essa política de saúde, que nos fortalece e nos liberta.

Reconhecer o SUS é compreender o quão importante é esta política para mais de 50% da população brasileira que utiliza os serviços de saúde pública, e defendê-lo, especialmente no momento em que numa pandemia, milhares de brasileiros morrem e tantos outros dependem do SUS para sobreviver.

A defesa pelo sistema único de saúde deve ser lembrada a cada momento em que fazemos uso dos recursos públicos na saúde, ou seja, desde a concepção da vida até o pós-morte. Na concepção da vida, o SUS se faz presente frente às demandas básicas referentes ao calendário vacinal das gestantes entre tantos outros serviços prestados.  E no momento do pós-morte, reconhecemos o potencial e a dependência de todos os brasileiros frente a esta política de saúde, uma vez que a declaração de óbito é emitida única e exclusivamente pelo SUS.

Estamos enfrentando uma grave crise mundial contra um vírus, mas desde 1988, travamos uma grande batalha na defesa e manutenção do direito à saúde da população brasileira, pois todos nós, com plano de saúde ou não, somos usuários do SUS. Portanto, seguindo o Conceito Ampliado de Saúde, que considera como direito à saúde fatores relacionados ao trabalho, renda, lazer, escolaridade, e além disso, como sugerem alguns autores do campo da saúde coletiva, a felicidade, elemento fundamental para o alcance de níveis mais elevados de saúde, necessariamente entrelaçada às escolhas políticas que fortaleçam nossa saúde pública brasileira.

Assim como o SUS sobrevive, os brasileiros também sobrevivem, graças a este sistema que ganhou visibilidade e reconhecimento nacional e internacional num dos momentos mais difíceis que a humanidade atravessa, destacando-se um sistema de saúde preparado 24 horas do dia para atender as necessidades prioritárias da população com respostas positivas, levando-se em conta as dificuldades históricas desta política de saúde.


* Enfermeira graduada pela UFRJ, especialista em Saúde da Família pela UERJ, mestre em Políticas Sociais UENF, e atualmente doutoranda do Programa de Sociologia Política da UENF. Servidora pública, atuou na ESF e atua em Emergência há quase 20 anos, há mais de 10 anos coordena o curso de Enfermagem do ISECENSA.

Categorias: Ámérica do Sul, Opinião, Saúde
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