COVID-19: uma catástrofe anunciada. O caso da República Checa

19.10.2020 - Praga - Gerardo Femina

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COVID-19: uma catástrofe anunciada. O caso da República Checa

Após a flexibilização no verão das medidas para conter a propagação do contágio da COVID-19, a epidemia está explodindo em toda a Europa. Isso era bastante previsível e as advertências de muitos epidemiologistas passaram despercebidas. A Itália, que se manteve mais ou menos cautelosa, está, neste momento, em uma situação melhor do que outros países europeus, onde a situação se agrava dia após dia e espera-se um quadro muito perigoso para os próximos meses.

Vejamos em detalhes o que aconteceu na República Checa para entender este fenômeno, comum para outros países, de explosão do contágio.

Vale lembrar que em janeiro e fevereiro, apesar dos avisos da China e da OMS, nenhum governo implementou medidas para evitar o desastre. Neste contexto, o governo de Praga teve o mérito de, no início de março, diante do que estava acontecendo no norte da Itália e enquanto outros países ainda estavam “distraídos”, implementar algumas medidas como o distanciamento social e a obrigação do uso de máscara tanto em lugares fechados quanto ao ar livre. A velocidade e a eficácia da ação permitiram conter o contágio.

No dia 31 de maio, o número total de pessoas infectadas era de 9.000 com 316 mortes. Um grande sucesso em comparação com o que acontecia no resto da Europa e no mundo.

Mas, no início de junho, as coisas mudaram. Com a aproximação do verão, começou uma forte pressão das pessoas que estavam com medo de não poderem sair de férias, e especialmente da indústria do turismo, que vivia um pesadelo por conta da paralisia total dos negócios. O governo, que antes havia dado sinais claros sobre a gravidade da situação, começou a falar sobre a famosa “fase 2”, as informações ficaram confusas e a mídia amenizou a tensão em torno da pandemia. Um fato importante é que as redes sociais também estavam repletas de artigos e vídeos que falavam da manipulação da informação e, resumidamente, negavam a própria existência do novo coronavírus ou pelo menos falavam dele como se fosse uma simples gripe. Obviamente, permanece a dúvida e a questão sobre quais grupos e quais interesses estão escondidos por trás desses charlatões… mas vamos voltar ao nosso assunto.

Quando, no início de junho, países como a Croácia reabriram suas fronteiras aos turistas, outros governos europeus repentinamente aceleraram a implementação da Fase 2. E foi o que a República Checa fez, também. Em poucas semanas, as medidas anti-covid foram abolidas e, acima de tudo, se espalhou a crença de que a essa altura a pandemia havia passado ou de que nem havia existido. Não tinha mais distanciamento social, nem máscaras. A esse ponto, mesmo as poucas e confusas recomendações das autoridades não eram levadas em consideração. As fronteiras foram reabertas aos viajantes de outros países. Um símbolo deste período é o jantar social que Ondřej Kobza organizou no dia 30 de junho na Ponte Carlos com a aprovação da cidade de Praga. Uma mesa de 550 metros de comprimento com a participação de mais de 2.000 pessoas.

Em agosto os números do contágio aumentam inevitavelmente e em setembro a conta é paga pela “distração” do verão. Os contágios começam a crescer de forma exponencial, como pode ser visto claramente no gráfico.

Em poucas semanas, o total de infecções que em maio eram de 9.000 passaram para 25.000 no dia 1º de setembro e atingiu cerca de 62.000 no dia 26 de setembro. O plano do governo chamado “quarentena inteligente”, que consistia em manter os novos casos sob controle e rastrear o contágio, fracassou claramente. Quando os números começam a aumentar, se torna impossível ter a situação sob controle. E num instante, todos os esforços, os sacrifícios e o grande trabalho realizado na primavera foram prejudicados. A atenção se concentrou novamente no problema há apenas uma semana. O Ministro da Saúde, Adam Vojtěch, renunciou, e o famoso epidemiologista Roman Prymula tomou o seu lugar, começando a reintroduzir, imediatamente, algumas medidas já tomadas em março. O Ministro expressa claramente o medo de que o que aconteceu na Lombardia possa acontecer.

Para completar o quadro, é preciso dizer que, como na Itália, a oposição se aproveita da situação para fazer campanha e criticar o que quer que o governo faça e, assim, o chamado “negacionismo” vai se espalhando especialmente entre os jovens e os movimentos alternativos.

Este vírus ainda é desconhecido e os fatores que determinam sua propagação e letalidade não são totalmente conhecidos. Entretanto, quando falamos de coronavírus, nunca devemos esquecer o que aprendemos em março de 2020:

  • É um vírus novo e altamente contagioso, já que o corpo humano não possui os anticorpos específicos.
  • Não é tão mortal quanto o Ebola, por exemplo, mas também não é uma gripe normal.
  • Pouco se sabe sobre este vírus, como ele se propaga, por que em alguns casos é letal e em outros não… a abordagem médica da doença melhorou, mas não há cura definitiva.
  • O problema mais sério é que o aumento exponencial do contágio leva à paralisação do sistema de saúde, tanto no que se refere aos leitos hospitalares, quanto ao número de profissionais da saúde e disponibilidade de equipamentos médicos.

Se pensarmos que os meses de frio e a consequente propagação da gripe normal estão se aproximando, podemos ter uma ideia da situação futura.

Esta é a tendência atual – que muitos não querem ver – e que pode levar a uma catástrofe humanitária, como já aconteceu antes na história.

Esta tendência só pode ser alterada com intervenções decisivas por parte dos governos e do povo, com comportamentos e escolhas adequadas à situação, com inteligência e solidariedade. Do contrário, teremos que confiar na sorte ou no acaso, como a probabilidade, mencionada por alguns cientistas, de que o vírus perca a força ou de que exista a hipotética e ilusória imunidade de rebanho. Porém, desta forma, entramos naquela coisa do “se” e do “tomara que”. É mais sensato colocar a vida humana no centro de nossos valores e tomar as decisões consequentes. Estes são tempos difíceis que podem ser superados com as escolhas certas.

Nós falamos sobre o problema da saúde, mas sabemos muito bem que a outra grande área onde a crise se agravará é a econômica. Se quiserem, a todo custo, defender grandes capitais financeiros, bancos e multinacionais ao invés da economia real e da produção, o desastre está garantido. Sobre este assunto, te convidamos à leitura da declaração “Direito universal à saúde – acima das leis do mercado e da especulação financeira“, onde é indicada a direção a ser tomada nesta área.


Traduzido do italiano por Stephany Pasquino Vitelli

Categorias: Europa, Opinião, Política, Saúde
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