Museu das curiosidades vivas VII. Final

06.09.2020 - Nova Iorque, EUA - Marco Da Costa

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Museu das curiosidades vivas VII. Final
Bethseda Fountain, Central Park, Manhattan, NY-1908 (Crédito da Imagem: CC0)
CONTO

 

 

Manahatta

Anna, Little John e todos os outros que eram atrações vivas do Museu partiram para ajudar os índios a se deslocarem para as cavernas ao norte. Lá seria o caminho prometido a um vale, onde poderiam ficar protegidos. Com exceção de Madame Bernadette, todos seguiram Anna. A pequena francesa disse não ter sentido a vida fora do palco. Ela também partiria, mas para acompanhar o Barão Von Strasse, como dama de companhia de sua mãe. Rumaram para o colorado onde os salões brotavam nas cidades junto às ferrovias. Soube-se que fez longa carreira por lá e se casou com um rico dono de minas de ouro.

Jack como planejado seguiu a trupe com o xerife, em busca do ouro que havia nas cavernas. Todos partiram no meio da noite, com poucas horas de diferença.  Na manhã seguinte a Prefeitura iria declarar aprovado o plano da construção de um grande parque central – 800 acres em forma retangular que soterraria aldeias e uma vila de escravos libertos. Uma grande reserva de água seria construída para abastecer todas as vilas, inundando todas terras indígenas e suas áreas sagradas.

O Xamã convocou todos à peregrinação. “Você, Anna, será nossa arma contra os homens brancos que te seguem com o objetivo de destruir nossa tribo”. Anna olhou surpresa: “tudo que eu puder fazer para salvar vocês” – proclamou sob o olhar atento de todos.  A profecia se cumpriu ao amanhecer.  Quando os índios entravam nas grutas, Anna foi convocada pelo Xamã a voar – só eles sabiam, mas uma grande surpresa aconteceria e mudaria os rumos de todos.  Ele segurou sua mão, as asas então abriram.  Luminosas como sempre, brancas e transparentes. Ela lentamente levitou. Anna parecia muito surpresa, sorria.  Como em seus sonhos mágicos finalmente subiu e provocou uma grande claridade. O Xamã estava certo: quando nós encontramos um amor muito grande, uma causa, uma missão na vida, nossas asas se abrem e voamos longe.

Os soldados que seguiram Jack acharam que era um anjo “Não parem agora – gritou Jack, os índios vão escapar ! Nenhum soldado conseguiu se mover.

Little John, espantado, segurou a mão do Xamã  “É o conflito de forças, pequeno menino leão, Anna e todos vocês são seres mágicos, poderosos, que reúnem as forças positivas da vida” disse.

“Vocês vieram para nos salvar, como dizia uma velha profecia” falou a todos.

Todos conseguiram entrar na gruta, menos Anna, que ficou flutuando e impedindo os soldados de prosseguirem. Depois que o último guardião entrou, as crianças da tribo começaram a cantar. Era um canto de alegria, a tribo estava salva finalmente. As pedras caíram e fecharam o caminho, enquanto toda tribo marchava para um vale distante, onde ficava sua nova terra. Estava fechado o caminho da ambição para Jack e todos.

Little John, separado de Anna e cercado por todas as curiosidades vivas, chorou muito.  Todos estavam seguros e salvos, mas Anna havia sido deixada para trás, era o sacrifício necessário para que os homens brancos não conseguissem encontrar a entrada da caverna. Todos na tribo encontrariam seu destino, nunca mais exibidos como erros da natureza, mas pelo contrário, acharam uma nova sociedade que os valorizavam e os consideravam especiais e lindos.

Little John e todos jamais souberam o paradeiro de Anna. Houve um imenso silêncio depois que chegaram nas novas terras. “Será que Anna foi levada de volta para o Museu”?  “Para onde foi a nossa menina de asas?” perguntou uma vez ao Xamã, que sempre silenciava.

No primeiro dia do outono, o Xamã chamou todos no centro da aldeia. “A menina Anna não pode nos acompanhar. Ela se ofereceu para salvar nossa tribo. Mas será recompensada.”

“Ela foi levada de volta para o museu?”, perguntou um menino da tribo.

“Não. Ela subiu até desaparecer. Nunca mais ninguém a viu na cidade. Segundo a profecia, o ser alado que nos libertaria viverá para sempre em nossas terras, dando proteção aos animais, as plantas.  Durante o dia, ninguém poderá vê-la, mas assim que a noite cair ela ficará viva e reluzente, voando sobre nossas árvores e campos sagrados.  Ela é a guardiã de nossa história. A menina de asas sempre soube que tinha uma missão.

E o circo ?

Jack voltou muito decepcionado e decidiu fechar o circo e voltar a vida de marujo. Rumou para o sul em busca de outras história de piratas. Seu Museu, no entanto, foi uma inspiração para dezenas de outras pessoas que abriram teatros ao longo da rua larga que levava até a tribo – chamada de Broadway.  Sabe-se que depois do fechamento do Museu das Curiosidades Vivas,  dezenas de outros teatros abriram por lá, tornando toda a região famosa pelas artes – dessa vez sem atrações circenses humanas, mas com muita arte e paixão.  Artistas, diretores, bailarinas, todos para sempre circulariam nessa rua mágica.

O Grande parque, ou “Central  Park”, como foi batizado, nasceu na região, fazendo desaparecer quase todas as marcas dos humanos que lá viveram muitos anos antes. Jardins floridos inspirados nas obras de Shakespeare, lagos e gazebos substituíram a terra sagrada das tribos.  Mas a profecia do Xamã foi cumprida.  Uma mulher foi chamada a esculpir uma escultura que ficaria no exato lugar onde viveram os Lanapes.  No meio da noite, seu atelier recebeu um vento imenso, ela acordou e ainda embebida pelos sonhos desenhou Anna, com as asas abertas.

Desde então, Anna está lá durante o dia, invisível aos olhos humanos. A noite, ela sai voando para dar proteção a floresta. É a menina de asas, “anjo das águas” do Central Park, da terra sagrada, de “Manahatta” a terra das colinas, no centro de uma ilha.


Acesse nesse link todos capítulos do “Muséu…”.

Categorias: América do Norte, Cultura e Mídia
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