Por Rodrigo Borges Delfim

Evento online e gratuito acontece às quartas-feiras de setembro, das 19h às 22h, com emissão de certificado para os que assim desejarem

O trabalho como ambulante é uma das saídas mais comuns encontradas por imigrantes para se manter economicamente no Brasil. E discutir essa realidade é um dos objetivos de um seminário gratuito que começa nesta quarta-feira (2) em São Paulo e se estenderá pelas demais quartas-feiras de setembro.

O seminário “Ambulantes e Cidade: cartografias da economia popular, tensões nos territórios, conflitos e práticas de resistência, durante a pandemia da Covid-19” vai acontecer em formato online (via plataforma Zoom) e é gratuito, com emissão de certifcado para os que assim o desejarem. Para se inscrever basta acessar este link.

A formação é promovida pelo Grupo de pesquisa Cidade e Trabalho, da USP, em parceria com o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, o Fórum Internacional Fronteiras Cruzadas, Fórum dos Ambulantes de São Paulo e o Laboratórios de Justiça Territorial da UFABC – LabJuta, entre outras organizações.

Além das limitações impostas pelo cenário de pandemia do novo coronavírus, os trabalhadores informais (independente da nacionalidade) já estão submetidos a uma série de dificuldades em seu cotidiano. Entre elas está a relação conflituosa com o poder público, personalizada em questões como as ações de fiscalização e entraves burocráticos.

Afinal, quem é o morador que nunca pelo centro comercial de uma grande cidade brasileira e ainda não viu trabalhadores informais tendo de correr com seus pertences após o alerta do “rapa” na área?

Trabalho informal imigrante

A questão dos imigrantes no mercado de trabalho informal será abordada mais a fundo na terceira mesa de debates do evento, no dia 16. Embora essa presença seja notada pelo menos desde o início dos anos 2000, pouco se conhece sobre as redes articuladas pelos imigrantes para exercer tais atividades.

A proposta do debate é entender e compreender o modo como os migrantes são afetados pela pandemia e pelas políticas de isolamento social, suas articulações e redes de solidariedade no contexto do comércio popular, driblando a fiscalização e repressão e construindo alternativas ao trabalho.

Entre os expositores haverá a participação da congolesa Hortense Mbuyi, que integra o Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo. O colegiado, criado em outubro de 2017, é ligado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC). Ele tem caráter consultivo e acompanha, entre outras funções, a aplicação da Política Municipal para a População Imigrante, em vigor na capital paulista desde o final de 2016.

Programação

Todas as quatro mesas do seminário acontecem às quartas-feiras de setembro, das 19h às 22h. Veja abaixo os temas de cada dia e seus debatedores

  • 02/09 – Mesa 1: Controle urbano e de corpos, criminalização dos atores e violência policial
    Expositores: Benedito Roberto Barbosa (Centro Gaspar Garcia, CMP), Kleber (Fórum dos Ambulantes) e Daniel Hirata (UFF); Mediação: Ana Lídia Aguiar (USP); Debatedora: Vera Telles (USP)
  • 09/09 – Mesa 2: Cidade invisível: subnotificação de dados, “desaparecidos” urbanos
    Expositores: Renato Abramowicz (Observatório das Remoções e LabCidade, USP), Mariana Nunes Taguti e Debora Sanches (FAU Mackenzie), Maíra Vanuchi (StreetNet – Unicab); Mediação: Sidney Jard (UFABC); Debatedor: Luiz Kohara (Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos)
  • 16/09 – Mesa 3: Trabalho ambulante na Pandemia e migração
    Expositores: Bruno Durães (UFRB), Cesar Colia (COEBIVECO), Hortense Mbuyi (Conselho Municipal dos Imigrantes); Mediação: Karina Quintanilha (Unicamp / Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze – Fronteiras Cruzadas); Debatedor: Lindomar Albuquerque (Unifesp)
  • 23/09 – Mesa 4: Mobilidades urbanas, novos arranjos da economia popular e redes de apoio
    Expositores: Carlos Freire (UFG), Maria dos Camelôs (Unicab – RJ), Luciana Itikawa (FMU – Wiego); Mediação: Francisco Comaru (UFABC); Debatedor: Fernando Rabossi (UFRJ)

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