Museu das curiosidades vivas VI

30.08.2020 - Nova Iorque, EUA - Marco Da Costa

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Museu das curiosidades vivas VI
(Crédito da Imagem: CC0)
CONTO

 

 

A corrida do ouro

Madame Bernadette de Jauvre, Chan e Ning Francesca, Tom, Little john, Anna. Todos estavam reunidos nos bastidores para mais um show. Havia um silêncio no ar depois que Anna e Little John voltaram da tribo e que contaram a eles todos das possibilidades de uma nova vida ao norte da ilha, onde poderiam ser eles mesmos, sem aquela vida de circo. Ninguém comentou nada, ficaram pensativos.

A vida no Museu das Curiosidades Vivas não era tão ruim para muitos, que chegaram ali vendidos pelas suas famílias. Outros chegaram em busca da sobrevivência porque não eram aceitos em seus lugares de origem – Anna relembrava com saudades do casario de Lisboa, sua última lembrança de infância.

A esperança da cura havia acabado – os índios não teriam nenhuma solução mágica para os pelos nos rosto de Little John, nem para o reduzido tamanho de Francesca ou Bernadette, ou muito menos para as asas de Anna. Teriam apenas uma explicação para suas diferenças: eram eles todos parte de uma criação divina e do bem. Nem todos concordavam ou pareciam, acreditar que dentro deles havia um conflito eterno de forças e que sua forma especial era uma coisa boa.

“Não seria melhor ser como todos os outros – filhos do egoísmo, da vingança, da inveja ?” Disse Chan, sob olhar crítico de Ning. Dessa vez, Ning parecia concordar. “Qual a vantagem de ser fruto das forças positivas do mundo ? ser assim estranho e até assustador”? Disse Tom, que era apresentado no show como o elo entre os homens e os macacos.

Anna circulava pelo camarim. Todas aquelas coisas que eles dizem fazia sentido. De que vale ser uma coisa divina, um milagre, se vivemos como estranhos e “curiosidades vivas” – qual era o sentido se as outras pessoas pareciam viver tão bem, sem asas, sem pelos, com altura normal e sem nenhuma diferença”?

Anna lembrou de Doutor Hans, quando ela fez esse mesmo questionamento, na carruagem, voltando da tribo “você acha que as pessoas normais são felizes, só por todas serem iguais ? Acha que não ter asa, ou ser da mesma altura que todos é garantia de felicidade? “A felicidade não está no corpo, mas na alma” disse ele. “Todos nós temos nossas asas e pelos, internamente. Temos um monte de coisas que nos incomoda, que não temos como nos livrar fácil. A diferença é que uns tem dentro e outro, pra fora, que são diferenças visíveis” disse.

O pensamento de Anna foi interrompido, minutos antes do espetáculo aquela noite. Jack entrou no camarim e todos levaram um susto “oh meu Deus ele já sabe” sussurrou Madame Bernadette.

Como vai a bela índia de asas ? – perguntou a Anna. Nesse momento todos que estavam saindo do camarim ficaram paralisados.

Anna, trêmula, respondeu: “Não sei do que o senhor está falando” e completou “índia, eu não sou índia”

Jack circulou em torno dela, que estava sentada em uma cadeira, no meio da sala. ” Eu sei o que vocês estão tramando” disse Jack.

“Eu vim aqui dizer que se vocês acham que vão sair, todos de uma vez, para acompanharem aqueles índios…..eu aconselho a que façam antes do inverno” disse colocando um pedaço de pele de coelho, como se fosse uma manta, em Anna.

Nesse momento todos se entreolharam. Não acreditavam que Jack concordava com a ida deles para a tribo.

“O senhor… senhor… acha que podemos ir” perguntou Little John gaguejando.

Jack se agachou para falar com Little John:

“Acho que é quase um dever ajudar aos pobrezinhos. Vocês sabiam que em pouco tempo toda aquela região vai ser um lindo parque? Não haverá mais tribo – nenhuma alma vivendo naquele lugar. Eu mesmo doei algum dinheiro, quero construir uma linda casa por lá. Quero ficar livre dessa sujeira aqui” concluiu.

Todos ficaram muito espantados. Essa não era a reação que esperavam. Chan olhou para Ning “Tem alguma coisa errada”. Ning repetiu “Alguma coisa erradíssima”

“Eu já estou cansado desse espetáculo mesmo” disse Jack “Quero trazer da França umas bailarinas e remodelar o teatro” disse andando ao redor de Anna, que olhava desconfiada.

“Por mim, podem ir ajudar os índios, quando quiserem”

Jack saiu do camarim e todos começaram a sussurrar e se perguntar o que estava acontecendo. Parecia loucura que ele havia concordado com a saída de todo o elenco para que fossem ajudar a tribo – logo os índios, que eram vistos por ele como inimigos, perigosos.

Naquela noite Jack fez uma visita ao xerife e foi lá que revelou as razões da sua repentina boa vontade “Esses ridículos viviam na miséria – eu os resgatei. São com ou sem circo, desastres da natureza. Os ingratos pensam que vão ajudar a tribo, mas estaram me guiando até as grutas do norte. Há anos tentamos chegar até lá e ninguém sabe exatamente onde é essa entrada” Agora saberemos, entraremos lá guiados por uma menina de asas e aqueles curiosos casos humanos – sorriu.

O Xerife constatou “Uma vez pirata, sempre pirata”

Os olhos de Jack brilhavam “Ouvi muitas historia de ouro”. Sem saber eles vão nos guiar até lá. Depois você prende todos, nos livramos dos índios e teremos tudo.

Metade e metade ? Perguntou o xerife? Tenho que preparar uma pequena tropa, você sabe, os índios estão armados”

Jack pegou uma taça da mesa “Claro meu comandante” Quanto você precisar. Quero que compra armas e munição. Prepare sua tropa, mas não será necessário combate. Eles ficarão trancados na gruta, vamos dinamitar e deixar aqueles selvagens lá dentro. Só quero as crianças porque me custaram muito para achar. Elas aprenderão a lição. Vou duplicar a audiência do circo e ainda incorporar algum índio feiticeiro.

E completou:

“você será o Prefeito, vou até contratar um escultor para fazer nossas estátuas para o parque. Quero uma no centro, ao lado de um lago “Jack, o homem mais rico do mundo, benfeitor da cidade”.

 

(Continua no próximo capítulo)


Acesse nesse link os capítulos já publicados.

Categorias: América do Norte, Cultura e Mídia
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