Mas para onde o vetor aponta?

23.08.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Eduardo Alves

Mas para onde o vetor aponta?
(Crédito da Imagem: Timon Studler/unsplash)

Esta palavra VETOR, um termo-conceito, que se faz presente nas ciências, sejam as da natureza ou as da história, aponta direções. Não são as direções que devemos seguir, mas as direções que já estamos mais propícios a seguir ou de criar as condições para existir. Como zoon politikon, não somos apenas animais políticos, mas animais humanos, do convívio em sociedade; para além disso, somos animais que pensam, agem, imaginam e possuem socialmente equipotência para seguimentos de retas que apontam para a vida ou para a morte. Evidente que nesse caso o “nós” significa os sapiens, e não o “nós” que vai lascando as divisões desse mundo no qual vivemos. Há conflitos de projetos, diferentes e contraditórios, e até antagônicos vetores que apontam movimentos distintos.

Houve um manifesto lançado em fevereiro de 1848 que afirma que “a história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes”. Porém, seus autores tiveram mais cuidado do que os seus leitores e colocaram uma explicação para essa afirmação, no próprio manifesto, que é pouco lida. Pois o vetor do conhecimento, que se firma como vetor sui generis para organizar o pensar e as ações para vida, está progressivamente enfraquecido. Eis um vetor fundamental para ser fortalecido e alimentado para a seta que aponta para o viver e para construir energias de equidade, sabedoria e dignidade. E nesse processo, grupos sociais defrontam-se com desafios de superação e de transformação.

Nota-se que em tal explicação para a importante afirmação que é apresentada pelo manifesto de 1848, desnudam-se indicações vetoriais para estudos, compreensões da sociedade e das diferenças humanas na história. Homens e mulheres, na história, firmam-se como objetos fundamentais de análise e como sujeitos para fazer com que as análises e as ações necessárias possam existir. E como zoon politikon em movimento, no tempo, nos conflitos, nos territórios e nas condições sociais e políticas, há sim sempre compreensões para construir e indicar quem somos nós. O “nós”, agora, é o grupo social do qual fazemos parte, numeroso, potente, que possui energia para indicar o vetor da vida, mas que precisa ser construído como tal, em ações de formação, organização e ação.

A história social e o modelo de desenvolvimento do capitalismo em curso divide em hegemonia e estrutura, grupos sociais racialmente, entre machos e fêmeas e em classes sociais antagônicas. E na explicação do texto supracitado podemos compreender que há mudanças em curso, motivadas também pelos conflitos entre as diversidades humanas em todos os seus recortes, pela luta de classes ou mesmo pelas contradições dos diferentes vetores humanos. Por isso, toda a diversidade histórico-cultural precisa ser pensada e desenvolvida em potência ativa para a vida. Claudicando menos, sigamos com as explicações dos autores para a clássica, muito difundida e, em geral, pouco compreendida afirmação do manifesto:

“Isto é, toda história escrita. A pré-história, a organização social anterior à história escrita, era desconhecida em 1847. Mais tarde, Haxthausen (August von, 1792-1866) descobriu a propriedade comum da terra na Rússia; Maurer (Georg Ludwig von) mostrou ter sido essa a base social da qual as tribos teutônicas derivaram historicamente e, pouco a pouco, verificou-se que a comunidade rural era a forma primitiva de sociedade, desde a Índia até a Irlanda. A organização interna dessa sociedade comunista primitiva foi desvendada, em sua forma típica, pela descoberta de Morgan (Lewis Henry, 1818-81) da verdadeira natureza da gens e de sua relação com a tribo. Após a dissolução dessas comunidades primitivas, a sociedade passou a dividir-se em classes distintas”.

Há muitas transformações na história, e nós estamos vivendo e construindo vetores nos tempos em que as diferenças sociais foram ampliadas. Natureza organizada em modelos arquitetônicos nos quais há os que se apropriam e os que dependem daquilo que foi apropriado. A transformação da natureza para satisfazer as necessidades espirituais, materiais, biológicas e sociais das pessoas ganha, também, com o vetor da apropriação, da acumulação e do lucro, uma outra direção. Esse grande comum, a natureza, deixa de ser comum e passa a ser particular e privatizada. E no lugar de transformada para benefício humano e não humano, passa a ser destruída, pois os interesses predominantes na história, por meio do poder, é a propriedade, a acumulação e o lucro. Interesses esses que criam vetores, também para minorias que são cada vez mais minorias e maiorias que são cada vez mais maiorias. Mas minorias e maiorias sociais, em um esquadro de vetor político no qual as minorias sociais são maiorias políticas.

Justamente esse é o processo imperativo para ordenar que o vetor da vida seja substituído pelo vetor da acumulação das coisas e dos valores. Seres humanos perdem importância para coisas, objetos, matérias hoje digitais, físicas e estruturais criadas pela multidão de seres humanos que padecem ao poder dos grupos sociais das bolhas do lucro. A maioria, conforme for soprada a bolha, pode ser titular, reserva ou simplesmente cortado e deixar de existir. Basta que as condições de produção e de circulação do que é produzido satisfaçam a ganância da acumulação para que multidões assumam lugares distintos. E mais uma vez, o vetor do conhecimento organizado coletivamente mostra a sua energia potente para que a história seja diferente.

É mais do que a hora, pois há muito já chegou essa hora, de construir um vetor do conhecimento coletivo e construtor da mais potente inteligência, que unifica as inteligências singulares humanas e que aponte para a vida, não para a morte. Vida e morte em todos os sentidos, simbólicos e literais, posto que se morre de labuta, de sequestro dos direitos civis, sociais e políticos, se morre a cada dia da dor e do peso da desigualdade, do medo, da angústia e da desumanidade. Superar a vida que é manchada pela morte, pela escravidão e pela exploração, em todas as dimensões, é um desafio mais do que necessário. O trabalho humano que queremos é o que amplia, em potência coletiva, a ôntica criativa da humanização para reforçar a vida. Vamos, com uma unidade crítica e criativamente potente, construir o tempo da vida com humanidade plena e fazendo existir a mais inspiradora e transformadora inteligência humana coletiva.

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