Congada do Serro de Minas ganha livro para se manter viva durante a pandemia

06.07.2020 - Rio de Janeiro, Brasil - Guido Mendes

Congada do Serro de Minas ganha livro para se manter viva durante a pandemia
(Crédito da Imagem: Tiago Geisler)

No momento em que o debate sobre o racismo, a intolerância e a ameaça do fascismo dão a tônica das manifestações populares em todo mundo, no Serro, cidadezinha do interior de Minas Gerais, o povo se ressente de não poder se juntar para celebrar a união – de brancos, negros e índios – em torno do rosário de Maria.

A festa do Rosário se tornou a manifestação cultural mais forte no Vale do Jequitinhonha, no interior mineiro e é uma página viva da história da formação do povo brasileiro.

Conta a lenda, que a Virgem do Rosário apareceu sobre as águas, e que os caboclos e os marujos cantaram em seu louvor e pediram para que ela viesse até eles. No entanto não foram atendidos. Mas, quando os negros foram até a praia  dançaram e rezaram, conseguiram que ela viesse até eles. Desde então, de acordo com a crença, a Santa passou a ser a protetora do povo negro.

A partir daí, todos os anos, entre os meses de junho e julho, a negrada, a caboclada e a marujada se juntam em festa para celebrar o Rosário de Maria.

Organizada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, é na congada, composta exclusivamente por homens, que se dividem em quatro grupos,  com seus elementos, para fazer a leitura de cada povo sobre sua fé. 
Todas as representações são carregadas de simbolismos, como a caixa de assovios, pífaros e caixas de couro, representando os gemidos dos negros. 
 A marujada  com as cores azul e branco e os instrumentos harmônicos, como violões, violas e banjos representando os portugueses.

Já os caboclos com seus saiotes de penas, pulseiras, fitas e arco e flechas inserem o elemento indígena na manifestação. E, há também os catopês, os homens negros e pobres com suas roupas de chita multicor e que tocam o reco-reco, tamborins e caixas de de couro.

É uma história de união, através da fé, que mais parece uma grande utopia, mas que é real e que há 181 anos, encanta moradores, peregrinos e visitantes da região. Os congadeiros são pessoas simples, como motoristas, serventes, agricultores, pedreiros, babás – essa gente, de um Brasil profundo, que merece e precisa ser reconhecida.

E foi mergulhando nesse universo, que a pesquisadora, ativista cultural e cantora, Daniela Passos, construiu o livro “Contas e Cantos do Rosário”. A publicação, ainda não lançada, reúne histórias e símbolos da festa, mas, fundamentalmente, memórias e afetos desse importante encontro social das pessoas da região do Serro.

Daniela Passos

Esse ano, em decorrência da pandemia da Covi-19, não haverá festa. Os cânticos e danças  dos congadeiros, no entanto, não ficarão em silêncio, pois, o livro é uma forma de dar eco à manifestação e manter a chama acesa para que tudo volte a ser como era, quando o perigo passar.

Daniela Passos é carioca e mora há sete anos no Vale do Jequitinhonha, próximo das nascentes da cidade do Serro – “o que me trouxe para o sertão mineiro foi justamente a Festa do Rosário, uma paixão arrebatadora e à primeira vista”.

Para manter viva a cultura e a tradição da festa, a autora decidiu publicar o material, justamente nesse momento tão importante e tão difícil para os congadeiros do Serro e, para isso criou uma campanha para arrecadar os recursos necessários para  a publicação. Os recursos serão usados para os custos de impressão do material e outra parte será revertida para os Congadeiros do Serro.

Quem quiser participar e adquirir o material pode contribuir até o dia 15 de agosto de 2020. Todas as informações sobre como participar podem ser acessadas nessa página ou no instagram.

Categorias: Ámérica do Sul, Assuntos indígenas, Cultura e Mídia, Diversidade
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