Piñera fala em reformar Constituição em meio a protestos no Chile

06.11.2019 - São Paulo, Brasil - Opera Mundi

Piñera fala em reformar Constituição em meio a protestos no Chile
Sebastián Piñera descartou a possibilidade de renunciar ao cargo por conta dos protestos no Chile (Crédito da Imagem: Fotos TVN)

Carta Magna do país foi aprovada em 1980, ainda durante a ditadura de Augusto Pinochet; presidente descartou a possibilidade de renunciar ao cargo e garantiu que chegará até o final de seu mandato

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou nesta terça-feira (05/11) que o governo está disposto a discutir reformas na Constituição do país diante da crescente insatisfação popular evidenciada nos protestos que tomam as ruas do Chile há mais de duas semanas.

Em entrevista à BBC, foi a primeira vez desde o início desta jornada de manifestações que o presidente cogitou mudanças na Constituição, pedido recorrente dos manifestantes que argumentam a presença de diversos artigos autoritárias nesta Carta Magna que foi aprovada em 1980, ainda durante a ditadura de Augusto Pinochet.

“O que que quero é chegar a um acordo, ouvir os cidadãos com atenção e humildade. […] É claro que, após restaurar a ordem pública e lançar a agenda social o debate não termina e uma segunda etapa ocorrerá quando estivermos dispostos a discutir tudo, inclusive uma reforma da Constituição”, afirmou.

Piñera ainda descartou a possibilidade de renunciar ao cargo e garantiu que chegará até o final de seu mandato. “É claro que chegarei ao fim de meu governo. Fui eleito democraticamente por uma enorme maioria de chilenos e tenho um dever e compromisso com esses que me elegeram e com todos os chilenos”, disse.

O presidente conservador ainda afirmou que não teme as ameaças feitas pelo oposição de realizar uma acusação constitucional contra ele para afastá-lo do cargo.

Fotos TVN/Flickr
Sebastián Piñera descartou a possibilidade de renunciar ao cargo por conta dos protestos no Chile
“Se alguém quer fazer uma acusação constitucional, é seu direito, mas estou absolutamente certo de que nenhuma dessas acusações prosperará porque a solução na democracia é respeitar as regras da democracia e não atentar contra a democracia, tentando desestabilizar um governo que venceu as eleições legitimamente e por uma grande maioria”, disse.

Repressão

As manifestações que tomam as ruas de diversas cidades chilenas há duas semanas começaram após o anúncio do aumento das passagens do metrô na capital. E mesmo depois de o presidente Sebastián Piñera ter voltado atrás e cancelado o aumento, os protestos continuaram. Além disso, os manifestantes reclamam do alto custo de vida, dos baixos salários e aposentadorias, do sistema de saúde e educação.

Desde o início das marchas chilenas foram registrados diversos casos de repressão e violência por parte das forças de segurança. Os números oficiais dão conta de 1.132 feridos por balas, balas de borracha, armas de fogo e perda de visão, 3.535 pessoas presas, 76 acusações de tortura e 18 de violência sexual pela ação das forças de segurança nos protestos.

Entretanto, denúncias divulgadas nas redes sociais, em vídeos, jornais e rádios comunitários revelam que os números são ainda maiores.

Nesta segunda-feira (04/11), três coletivos de juristas chilenos apresentaram uma denúncia ao 7º Tribunal de Garantias de Santiago contra o presidente Sebastián Piñera por “crimes contra a humanidade” devido aos episódios de repressão durante os protestos que tomam as ruas do país há mais de duas semanas.

Categorias: Ámérica do Sul, Política
Tags: , , , ,

Boletim diário

Digite seu endereço de e-mail para assinar o nosso serviço de notícias diárias.

O Princípio do fim das armas nucleares

2a Marcha Mundial da Paz e da Não-violência

Documentário 'RBUI, o nosso direito de viver'

Milagro Sala

Canale youtube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.