Órgão de direitos humanos da Bolívia exige que militares deixem de agir em manifestações

20.11.2019 - São Paulo, Brasil - Opera Mundi

Órgão de direitos humanos da Bolívia exige que militares deixem de agir em manifestações
Defensoria do Povo quer Exército fora da repressão a manifestantes na Bolívia. (Crédito da Imagem: Opera Mundi)

Defensoria do Povo exigiu ao governo da autoproclamada presidente Jeanine Áñez que desmobilize Forças Armadas após mortes em desbloqueio de refinaria

A Defensoria do Povo, órgão estatal para promoção dos direitos humanos na Bolívia, exigiu nesta terça-feira (19/11) que as Forças Armadas do país sejam desmobilizadas e parem de reprimir os protestos contra o governo da autoproclamada presidente Jeanine Áñez.

O pedido veio após ao menos cinco pessoas serem mortas na repressão ao bloqueio de uma refinaria em El Alto, na região metropolitana de La Paz.

“Neste momento, as intervenções policiais e militares no país estão gerando morte e dor no povo boliviano, e há que se ter consciência de que a primeira ação de pacificação quem tem que realizar é o Estado, é desmilitarizar”, disse a defensora Nadine Cruz, de acordo com o jornal La Razón.

Ela disse que o órgão, que é independente do governo boliviano, já pediu a Áñez que derrube o decreto que eximiu de responsabilidade militares que participam das operações de repressão. Além disso, anunciou que levou à Justiça uma ação de inconstitucionalidade contra a medida.

“[É para] Lembrar a polícia e os militares que não há decreto, lei, nem Constituição que os salve de um juízo penal ordinário destes casos. É momento de dialogar, mas dialoguemos a sério, sem perseguir, nem intervir, sem balas, nem mortos”, disse.

Refinaria

Manifestantes que se encontravam ao redor da refinaria Senkata, em El Alto, cidade da região metropolitana de La Paz, foram reprimidos nesta terça-feira com violência por militares e policiais, que agiam sob ordens de Áñez. O bloqueio impedia a saída de combustíveis em direção à capital boliviana. Pelo menos cinco pessoas morreram.

Segundo um dos manifestantes, um contingente da polícia, junto com helicópteros militares, chegou ao local e lançou bombas de gás lacrimogêneo, além de disparar tiros nos que estavam na frente da planta.

O governo nega que os tiros tenham sido disparados pelas Forças Armadas, e disse que operação foi prevista para ser “pacífica”.

O bloqueio acontecia desde o momento em que o golpe contra o então presidente Evo Morales se consumou, na semana passada. Os manifestantes no local pedem a renúncia de Áñez e a liberdade dos detidos durante a onda de protestos.

Pouco antes da operação, o ministro de Hidrocarbonetos, Víctor Zamora, disse que havia instruções da presidente para a ação. “Temos a instrução de nossa presidenta de trabalhar todo o dia para conseguir este reabastecimento. Estaremos prontos para distribuir e normalizar todo o abastecimento de líquidos aos postos da cidade baixa [La Paz] no momento em que nos deem uma via de acesso”, afirmou.

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos
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