A Lição Equatoriana

15.10.2019 - Vinícius Chamlet

This post is also available in: Espanhol

A Lição Equatoriana

O Equador é comumente lembrado pela linha imaginária que corta o país, a linha do Equador. Ponto de referência em termos de cartografia. Nas últimas semanas o país também se tornou referência no mapa das lutas sociais, mostrando como a mobilização popular é vital para frear governos que tiram dos mais necessitados para dar para os mais ricos. Projetando imagens a futuro para os povos latino-americanos que vivenciam um contexto histórico-social demasiadamente parecido. Entre a cruz do neoliberalismo e a espada do desenvolvimentismo. O país sinalizou um novo norte a ser seguido?

Equador: além da linha

Para entender a crise equatoriana, além de nos situarmos geograficamente, precisamos nos situar historicamente. O território foi dominado pelos incas até o ano de 1533, data da conquista espanhola. O domínio espanhol foi facilitado pelas armas de fogo, animais como os cavalos e pelo sarampo. O vírus foi responsável pela morte de milhões de pessoas em todo o continente americano, uma doença trazida de outro continente, e que os nativos não tinham as defesas biológicas necessárias para se proteger.

Durante o período colonial inicialmente ficou alocado como um dos territórios do vice reino do Peru, posteriormente foi anexado ao Vice Reino de nova Granada, formado pelos seguintes países: Colômbia, Venezuela, Panamá e equador. Sua independência foi conquistada com a ajuda de personalidades como Simón Bolívar, como grande colômbia, e em 1830 se separa sob Juan José Flores.

O século XX ficou marcado pelas disputas políticas e a ditadura. Além da consolidação do país como o maior exportador mundial de bananas e membro da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo). Apesar de sua imensa riqueza, no final do século XX o Equador se dolarizou. O que significa que abandonou a sua própria moeda local e adotou o dólar americano. Uma mudança drástica e de difícil reversão, que tira a autonomia do país, impossibilitando a criação de políticas econômicas  como mudança na taxa de juros. Que possui impactos drásticos para o controle da economia.

O epicentro da Crise

Em 2006 Rafael Correa ganha as eleições, candidato de esquerda adota importantes políticas sociais em seu país, o que garante a eleição de seu sucessor Lenín Moreno. Que está no epicentro da última crise política equatoriana. Moreno, do mesmo grupo político de Rafael, abandona o plano de governo propagandeado durante as eleições e adota uma política alinhada aos interesses do Fundo Monetário Internacional (FMI). Aqui que a crise se inicia.

Moreno adota uma série de políticas neoliberais – a lá Macri/Bolsonaro, para citar dois exemplos – que culminaram na diminuição dos direitos sociais historicamente conquistados pelo povo equatoriano. Dentre eles o subsídio à gasolina.

Um Norte para as lutas sociais na América Latina?

A resposta ao programa neoliberal entreguista de Lenín Moreno veio das ruas. Os povos originários tomaram as vias de Quito, capital do país, a medida fez o governo arregar e e mudar a capital do país. Indígenas de todos os cantos do equador emergiram dizendo em uma só voz um agudo: “NÃO!” as medidas que estavam aprofundando o caos social, a fome, a miséria, as más condições de vida da população mais pobre.

A recente crise equatoriana demonstra a importância da participação popular para barrar as atrocidades cometidas pelos governos neoliberais instalados na América do Latina. O medo dos poderosos foi tão grande que foram forçados a negociar com os manifestantes e a revogar o decreto 883 em uma comissão supervisionada pela ONU e a Igreja. O poder emana do povo, e o povo pode barrar o poder tirano que governa para os interesses de uma elite egoísta e retrógada.

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Internacional
Tags:

Boletim diário

Digite seu endereço de e-mail para assinar o nosso serviço de notícias diárias.

Pesquisa

Dia da Não Violência

Dia da Não Violência

Informe Pressenza

Informe Pressenza

Caderno de cultura

Caderno de cultura

O Princípio do fim das armas nucleares

Documentário 'RBUI, o nosso direito de viver'

Canale YouTube

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

International Campaign to Abolish Nuclear Weapons

Arquivo

xpornplease pornjk porncuze porn800 porn600 tube300 tube100 watchfreepornsex

Except where otherwise note, content on this site is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International license.