Moradores se posicionam após governador falar em explodir território de favela no Rio

18.06.2019 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

Moradores se posicionam após governador falar em explodir território de favela no Rio
Wilson Witzel com Jair Bolsonaro. Rio de Janeiro, Maio 2019 (Crédito da Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil.)

Por Jaqueline Deister/Brasil de Fato

Wilson Witzel fez declaração durante evento com parlamentares, prefeitos e secretários de governo em Nova Iguaçu (RJ)

Na última sexta-feira (14) durante uma audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa da Baixada Fluminense realizada na Câmara Municipal de Nova Iguaçu, o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), fez um comentário que causou indignação. Ao falar de homens que transitavam armados na favela Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, o governador disse que “em outros lugares do mundo, nós teríamos autorização para mandar um míssil naquele local e explodir aquelas pessoas”.

Após a declaração, Witzel foi aplaudido por parte dos presentes. Na plateia, deputados federais e estaduais, prefeitos de municípios da Baixada Fluminense, além do secretário de Governo e Relações Institucionais, Gutemberg Fonseca, o secretário de Polícia Militar, Rogério Figueiredo e o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT).

Para Fransérgio Goulart que integra o Movimento de Favelas e o Fórum Grita Baixada, é extremamente grave a fala do governador e a reação dos presentes em aplaudir. Segundo Goulart, há um projeto em curso que criminaliza e torna o território da favela como um potencial inimigo do Estado.

“É fascismo. Uma fala que em qualquer parte do mundo, numa democracia, mesmo dentro desse horror que é o capitalismo, essa pessoa seria responsabilizada e o que mais me espantou foi que no ato que ele estava presente, que ele fez essa fala, foi aplaudido. Essa barbárie que vem sendo construída contra nós está ganhando amplitude, apoio da sociedade”, afirma.

A declaração de Witzel durante audiência sobre a expansão do Segurança Presente para os 13 municípios da Baixada Fluminense também não foi bem recebida por moradores da Cidade de Deus. Salvino Oliveira, 21 anos, é morador do bairro e coordenador de parcerias da rede de Observatórios da Segurança Pública. O jovem conta que na Cidade de Deus moram cerca de 40 mil pessoas e que a localidade sofre com a falta de serviços públicos básicos prestados à população.

“Os três grandes problemas da Cidade de Deus são os das regiões periféricas como um todo: a falta de políticas públicas. Não tem coleta de lixo regular; tratamento do esgoto, ele vive transbordando; a falta de colégio de Ensino Médio num território com 40 mil pessoas, com uma juventude com tantas expectativas. Para mim, o principal problema hoje na Cidade de Deus é a falta de investimento na educação”, detalha.

Ilegalidade

A deputada estadual e presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Renata Souza (PSOL) por meio de nota divulgada à imprensa afirmou que “a segurança pública se faz com estratégia, prevenção e inteligência, não com mísseis e execuções sumárias. A declaração do governador revela uma mentalidade autoritária e violenta que expressa, no fundo, o seu preconceito e total desprezo com a vida dos pobres que moram nas favelas do Rio de Janeiro. Além disso, é claro, uma tentativa de deslegitimar e menosprezar uma importante instituição internacional como a ONU”.

O Fórum Grita Baixada junto com outros movimentos populares que compõem o grupo interinstitucional vinculado à  7° Câmara do Ministério Público Federal realizarão um encontro para tratar da fala do chefe de estado do Rio e denunciar a ilegalidade do pronunciamento para outras instâncias.

Categorias: Ámérica do Sul, Direitos Humanos, Política
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