Grupo incentiva a leitura de obras escritas por mulheres no Vale do São Francisco

22.05.2019 - São Paulo, Brasil - Redação São Paulo

Grupo incentiva a leitura de obras escritas por mulheres no Vale do São Francisco
O Leia Mulheres Petrolina existe desde 2017. Hoje o projeto está presente em mais de 100 cidades em todas as regiões do país. (Crédito da Imagem: Divulgação/Brasil de Fato)

Por Vanessa Gonzaga | Brasil de Fato

Hoje o projeto está presente em mais de 100 cidades em todas as regiões do país / Divulgação
Em Petrolina, no Vale do São Francisco, o clube de leitura Leia Mulheres existe desde 2017. O grupo faz parte de uma iniciativa nacional criada 2014, quando a escritora Joana Walsh propôs na internet o projeto com o intuito de ler mais escritoras, para incentivar o mercado editorial a dar mais visibilidade para as mulheres que escrevem. Em 2015, as amigas Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques trouxeram de São Paulo a ideia para o mundo real, convidando as pessoas a se reunirem em espaços culturais e livrarias para debater as leituras. Hoje, o projeto está presente em mais de 100 cidades em todas as regiões do país.

Todos os grupos que levam o mesmo nome, são gratuitos, descentralizados e podem ser organizados por qualquer pessoa. Em Petrolina, a advogada Bruna Alencar tomou a iniciativa “A ideia é ter mediadoras locais para organizar os clubes e incentivar a leitura de obras de mulheres. O encontro é aberto para um público amplo, homens, mulheres, adolescentes, idosos”. Foi com uma amiga que organiza o Leia Mulheres no Tocantins que Bruna teve a iniciativa de formar o grupo no interior de Pernambuco.

Os encontros acontecem mensalmente, sempre nos sábados. Para facilitar a dinâmica, também acontecem sempre no mesmo local, que fica numa área central da cidade, o que torna o evento mais acessível. O plano de leituras e a escolha dos livros é feita semestralmente, para que as membras possam se planejar para a compra dos livros, já que não existe nenhuma livraria na cidade, como explica Bruna “A região não está acostumada a ver iniciativas nesse segmento, porque o nosso cenário cultural voltado para a literatura é muito precário. Então as pessoas se planejam para comprar pela internet, quem não tem condições pega emprestado, e assim vamos fazendo as leituras”.

Apesar de ler exclusivamente as produções femininas, o Leia Mulheres não é um grupo de estudos da teoria feminista, ainda que esse tema atravesse as leituras e a vida das escritoras. “Não é um estudo teórico, aqui na região inclusive tem outros grupos voltados para esse estudo. É um clube para pessoas interessadas na literatura produzida por mulheres. De vez em quando tem temáticas que são voltadas ao feminismo, mas é um clube de literatura principalmente”. Entre as mulheres escritoras, já foram lidas autoras como Marjane Satrapi, Mary Shelley e Djamila Ribeiro.

A professora de português Joázila Santos frequenta o grupo desde o início do ano. “Eu tomei a iniciativa de participar por gostar muito de literatura e também porque esse era o tema que estudava durante a graduação”. Para ela, o maior aprendizado do grupo não vem só nas páginas dos livros, mas principalmente no contato entre as mulheres que frequentam os encontros “O grupo tem me ensinando que a literatura pode unir mulheres. São muitas mulheres diversificadas e você acaba se conectando com as outras pessoas. O encontro é algo que eu fico almejando no decorrer do mês”, explica a professora.

O próximo encontro do Leia Mulheres Petrolina acontece no dia 25 de maio. A obra selecionada é “Úrsula”, da escritora considerada primeira romancista brasileira, a maranhense Maria Firmina dos Reis. O encontro inicia a partir das 17h no Studio Casa, na Rua das Umburanas, 155, no bairro Areia Branca.

Categorias: Ámérica do Sul, Cultura e Mídia, Gênero e feminismos
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